Diagnóstico do Desenho Industrial

8/1999

Designe

2002

Interfaces

  • p. 37
  • p. 58

O bigodudo adiante era Aloisio Magalhães, e nós o conhecíamos de vista — ora, qual o estudante de Design que, àquela época, não o conhecia? O homem que criara as marcas dos bancos! O autor das notas do dinheiro que tínhamos na carteira!

  • p. 62

Ao analisar Leonardo da Vinci, Paul Valéry destacou o seu espírito analítico e crítico, traduzindo em poucas palavras o âmago do pensamento e das ações que caracterizavam o pintor e eu vi, nestas afirmações, uma estreita semelhança com o modo de ser de Aloisio Magalhães. Valéry desvenda o núcleo do pensamento estético e da paixão presentes em Leonardo, mas também em Aloisio: dois seres tão afastados cronologicamente e tão perto no campo das ideias; a junção do rigor geométrico com a poesia, do realismo com o simbólico, está presente nas obras de ambos. Eles circulam entre a realidade sensível e a realidade da arte transformada em signo. Ambos passeiam pelo mundo fenomenológico da arte, compreendendo seu papel de tradutores, não aquele que traduz sem alma, sem interpretação, mas aquele que descobre na natureza, no objeto imitado, um universo particular, novo, especial e acaba por transformá-lo em signo artístico. Ambos trazem em seu interior o micróbio da inquietude, que leva o homem a realizar e transformar as coisas, os costumes, os tempos, enfim. Inquietude essa que leva o homem na direção das grandes paixões e a, consequentemente, realizar obras que farão com que ele seja lembrado para sempre.

Vi, recentemente, na Universidade Federal Fluminense um belíssimo calendário composto de fotos dos diversos prédios onde funciona a UFF, em forma de cartemas, com a finalidade explícita de homenagear Aloisio Magalhães, sem indicação de autoria; o designer e professor Leonardo Visconti contou-me que tem, também produzido vários cartemas ao longo de sua carreira profissional.

  • p. 140

por Isis Fernandes Braga

QUANDO OLHAMOS AO NOSSO REDOR, PERCEBEMOS QUE NOS RODEAMOS FREQUENTEMENTE DE OBJETOS,  UTILITÁRIOS OU DECORATIVOS, PRODUZIDOS POR PESSOAS DO POVO. SÃO OBJETOS RESULTANTES DE NOSSAS TRADIÇÕES, QUE EXPLORAM MATÉRIAS-PRIMAS AS MAIS DIVERSAS E NOS MOSTRAM SOLUÇÕES ENGENHOSAS.  

ALOISIO MAGALHÃES (1927-1982)

QUANDO COORDENADOR DO CNRC (CENTRO NACIONAL DE REFERÊNCIA CULTURAL) E MAIS TARDE COMO SECRETÁRIO DE CULTURA, DEDICOU-SE À PRESERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS E À VALORIZAÇÃO DO ARTESANATO POPULAR. SEGUNDO PALAVRAS DE CLARA DE ANDRADE ALVIM, BRAÇO DIREITO NO CNRC, “ELE NÃO ERA ABSOLUTAMENTE CONTRA A INDÚSTRIA MAS ELE ACHAVA QUE A INDÚSTRIA NÃO DEVERIA ARREBENTAR COM OS SABERES POPULARES, MAS QUE DEVERIA DECORRER DESSES SABERES”

Ele era apaixonado e entusiasmado com a questão do artista popular. Aloisio Magalhães é, para nós que trabalhamos com …

Segundo sua viúva Solange, ele dizia que praticando o Design, ele atingiria um público muito maior, atingiria o povo. Ele foi um dos criadores do moderno Design no Brasil, autor de inovações em Design Gráfico e atuou na criação da primeira escola superior de design no país, a ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), atualmente pertencente à Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

O que muitos de nós não sabemos é a sua posição e atuação em relação ao artesanato e as medidas por ele tomadas quando Secretário de Cultura: Aloisio Magalhães empenhou-se pela inserção do artesanato em uma categoria que pudesse ser cotejada de par a …

Diagnóstico do desenho industrial, p. 30

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