Junho, 13

29/12/1982

UT Libraries 2008

Isto É

  • p. 105

Aloisio Magalhães

Principal designer brasileiro, depois dedicado defensor do patrimônio histórico, como virtual ministro da Cultura. Aos 55 anos, de derrame cerebral, em Pádua, Itália.

  • p. 163

Um mês depois, dia 13 de junho, morria Aloisio em Pádua, na Itália. Deixava de pulsar uma espécie de motor da nossa atividade cultural. Aloisio passara, em sua vida de 55 anos, de pintor a mecenas. Em Pernambuco, por exemplo, sua terra natal, tinha deixado de ser apenas um artista pernambucano para se transformar numa espécie de Nassau, príncipe holandês, oferecendo Olinda à contemplação do mundo. No Rio, Aloisio migrou de suas gravuras, de seus cartemas e quadros para dentro do Paço Imperial, que ele restaurava como quem conserta a casa da família.

Edmar não falava no secretário da Cultura pensando apenas nos tesouros de família acumulados em sua casa, mas igualmente nos tesouros de Alcântara, que também merece transformar-se em monumento mundial, como Ouro Preto e Olinda. Da parte que me toca, pensei, ao ver Alcântara, em pedir a Aloisio Magalhães que não só cuidasse materialmente da cidade como ainda que encomendasse um estudo histórico em que se examinassem as razões da sua destruição. Porque Alcântara não dá a impressão de uma cidade que decaiu, que se arruinou, passado o fastígio dos tempos da escravidão. Seus muros negros não parecem sucumbidos ao abandono, e sim à marreta e ao fogo. Quando troquei impressões a respeito com o velho Edmar, ele me disse que não tinha visto nada a respeito nos livros, mas que um dado sempre lhe chamara a atenção. Mas ali ainda havia, no tempo da Abolição, 8 mil escravos.

O Brasil atual é ainda uma ampliação do que havia em Alcântara: uma pequena elite servida por chusmas de escravos. Os escravos, hoje, são de mais de uma cor, mas as proporções permanecem as mesmas.

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