Funarte muda de direção

1981

Visão – Cultura

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Reforma

Aos cinco anos

As festas foram programadas para durar de 16 a 30 de março: shows, lançamentos de livros, concertos, emissões especiais de rádio e TV — um resumo da açâo cultural da Funarte em cinco anos de existência. Já nas entrevistas de balanço do órgào, porém, Roberto Parreiras, seu diretor-executivo, falava no passado. “Foi o modelo bem sucedido da relação entre Estado e cultura em termos administrativos e de viabilização de uma política de cultura”, disse à repórter Beatriz Marinho, no Rio. Menos de uma semana depois, dia 20, Parreiras anunciava a seus auxiliares diretos na Funarte que estava demissionário, pronto para assumir a direção da TV Educativa. Fica em seu lugar o sociólogo Mário Machado, ex-funcionário da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Secretaria de Planejamento da Presidência da República. É o fim da Funarte? A fundação passará a ser apenas uma financiadora, repassadora de verbas na área da cultura? Entre suposições e temores, ninguém da Funarte adiantou coisa alguma sobre o futuro. Nem mesmo o escritor José Cândido de Carvalho, que gostava de brincar definindo sua posição como presidente da Funarte: ele apenas reinaria, enquanto seu primeiro-ministro, Parreiras, governava. É que tudo depende de um projeto de reformulação total na administração da cultura, de autoria do designer Aloisio Magalhães, que só espera a última palavra do ministro Rubem Ludwig, do MEC, para se tornar realidade.

Grandes mudanças — Magalhães será o titular de um futuro Ministério da Cultura? Isso não e nem considera oportuna a ideia, apesar de concordar com o ministro Ludwig que o MEC é hoje um órgão sobrecarregado de tarefas e talvez o de mais complexa estrutura administrativa. Mas ele tem carta branca, agora, no setor. Presente na Administração Federal desde o Governo passado — como criador do Centro de Referência Cultural na pasta da Indústria e do Comércio, na gestão de Severo Gomes -, Magalhães ganhou sucessivamente a Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que pasta perfeita para a Fundação próMemória, e a secretaria executiva do MEC.

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E, poder total sobre a Funarte, no quadro de uma reformulação radical.

Por enquanto não se fala em mexer nos projetos da Funarte — 32, nas mais diversas áreas. Sucintamente, o plano é dividir a área cultural do Ministério em dois setores principais: a preservação da memória e a criação da cultura. Ambos os setores seriam controlados por um administrador central — sediado em Brasília e não no Rio de Janeiro, como era a direção da Funarte. E todos os órgãos da cultura — museus, institutos, bibliotecas, etc. – ficariam ligados às duas fundações, próMemória e Funarte, de acordo com o tipo de trabalho em desenvolvimento.

A reformulação faz sentido, considerando-se as sobreposições de tarefas em órgãos do MEC. A atual Funarte, por exemplo, edita livros, quando isso deveria ser função do Instituto Nacional do Livro; seu Projeto Memória Musical Brasileira (Pro-Memus) cabe, obviamente, nas atividades do próMemória de Aloisio Magalhães. E assim por diante.

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