Logotipos, marcas pictográficas e sinais designativos

Aloisio Magalhães

Um dos problemas mais graves com que se defronta o homem contemporâneo é a quantidade ilimitada de informações que ele é obrigado a absorver. Antes reservada apenas ao espaço urbano e emitida por um número restrito de fontes, a informação hoje não só se espalha no meio rural como também invade a casa, espaço por sua própria natureza intimista. Já é possível uma perfeita sintonia em termos universais entre ação e comunicação, o gesto simbólico de posse – o primeiro pé humano a tocar o solo lunar foi visto por milhões de pessoas no exato momento em que ocorreu.

Nesse caso, apesar da distância física Terra-Lua, as diversas localizações geográficas dos homens e seus diferentes tempos e fusos horários não representaram empecilho a simultaneidade da transmissão. Além disso, a barreira da língua – centenas de idiomas envolvidos na comunicação – foi derrubada porque a informação se faz através da imagem, o que evidencia um aspecto fundamental para a comunicação contemporânea: a preferência pela imagem em contraposição à palavra escrita, mesmo considerando-se diversas formas de representação, desde a fotografia (transposição da imagem real) até o desenho econômico e sintético de uma criança. No caso da fotografia, a informação é enriquecida de inúmeros detalhes e particularidades, enquanto as sínteses gráficas pretendem informação precisa e apenas conceitual.

Esse universo de sinais gráficos constitui uma das mais poderosas fonte de informação que utilizamos contemporaneamente: sinais de advertência, de proibição, indicativos, persuasivos ou simplesmente designativos.

A necessidade de discipliná-los e normalizá-los nasce da alta frequência com que são usados, indicativa de sua validade e importância como meio de comunicação. A utilização inadequada ou abusiva representa uma inevitável diluição de sua força como elemento que visa objetivamente a distinguir e personalizar as instituições.

De maneira geral podem-se classificar os sinais gráficos em três categorias fundamentais a partir do elemento básico no qual se estruturam:

1- a partir da palavra ou de letras;

2 – a partir da representação de uma imagem ligada à função;

3 – a partir de formas arbitrárias.

No primeiro caso, incluem-se os logotipos, representação da palavra de maneira particular, transformando-a em marca (Pirelli), como também as marcas estruturadas a partir de letras iniciais de um nome (RCA, IBM).

No segundo caso, incluem-se as marcas ou sinais ditos pictográficos, por exemplo, os que se utilizam de uma chama para designar companhias de gás, ou “homem” e “mulher” designando banheiro masculino e feminino.

No terceiro caso, incluem-se os sinais designativos, que na sua origem são vazios de significado. Só a partir de uma convenção aceita, e através do uso repetitivo, impregnam-se da significação que representam.

Nas três situações, existem fatores comuns que devem ser levados em consideração. A qualidade ótica, que permite percepção rápida, econômica e, sobretudo, a sua particularização. O fator originalidade também deve ser levado em conta, se bem que no universo demasiadamente carregado de sinais seja extremamente difícil, hoje, encontrar elementos novos para formulação de uma síntese gráfica.

Há muitos casos em que o sinal baseia-se em situações intermediárias, abrangendo mais de uma das categorias dessa classificação. É importante lembrar que o sinal sozinho não é suficiente para estabelecer a identidade visual de uma entidade ou empresa; o sinal não vive sozinho.

É através de seu uso programado e de suas relações com outros elementos de comunicação que se pode criar uma imagem global perante o público.

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