Simposio internazionale sul Barocco latino americano

Roma 21/24 aprile 1980

UT Libraries 2008

Aloisio MAGALHÃES Brasile

  • p. 97

… dobram a cerviz, rendem-se. Eles mesmos cogitarão de cobrir, de vestir as paredes com estuque, com cal, com todas as matérias plásticas possíveis, até com mármore. A fantasia está satisfeita, completa. As portas dobram-se sobre as decorações, florações, fantasias. Se as paredes são glaciais, serão removidas, curvar-se-ão, farão volutas, não mais servirão para separar o homen do ar, elas simularão os movimentos do vento, da água, das nuvens, do céu, tudo. Os arquitetos sabem fazer de tudo, Churriguera e Borromini desencadeiam a avalanche dos seus caprichos, surpreende-se o povo, que se entusiasma, aplaude, sorri. Os arquitetos encontram o meio de comunhão entre a arquitetura e a natureza, a parede não mais resiste aos seus encantos, os Papas, os cardeais, os jesuítas, os príncipes ordenam novas construções. E a civilização barroca triunfa, desafoga-se. Os teóricos, mais tarde, falarão justamento da fase dionisíaca da arquitetura.

Diretamente, e não sem alguma desconfiança e preocupação, o Brasil começa a fazer parte desta civilização. Hesitações, devidas talvez ao fato de serem os arquitetos chegados ao Brasil geralmente portugueses setentrionais (também muitos jesuítas preferem a calma setentrional); pois, no Portugal do Norte, sabe-se, o Barroco aparece tardiamente e caminha a passos de chumbo, procura articular-se à majestosa tradição romântica, cedendo o menos possível às lisonjas da moda inconstante. Com estes cuidados e precauções, e com algum impulso natural e local, determina-se no seio do barroco, já nos limites das extremas bizarrias, talvez já proximo de seu fim, o barroco brasileiro. Barroco, arte popular, definimos. É uma hipótese aqui apresentada sem ter em conta as doutas e doutíssimas especulações e as instituições de Croce e Wólfflin, que dedicaram inúmeras páginas às origens do barroco e à formação do novo estilo, identificando-lhe talvez as causas com a ‘diminuição da intensidade do sentido da forma’, no novo ‘prazer de massas interpostas’, na procura pública de um ‘estado de excitação, de um agir enfático’. Assim diz Wólfflin, o mais seguido teórico. Um dia Eugenio d’Ors apresentou a um conclave de historiadores de arte em Pontigny, um documento da arte portuguesa manuelina: a janela do coreto existente na Igreja do Convento do Cristo de Thomar. A ‘janela’ foi apresentada como um dos símbolos essenciais da mensagem lusitana ao mundo, como um poema épico, um …