Projeto e Exposição

1980

UT Libraries 2008

SPHAN próMemória

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… no desenvolvimento da região e sua integração ao país. No dia 5 de maio, Rondônia comemorou, também, a passagem do aniversário de Rondon, que se estivesse vivo estaria completando 116 anos.

Em seu pronunciamento, o Secretário da Cultura do MEC ressaltou a bravura dos que construíram a EFMM :

“antes de nós, muitos sofreram e se sacrificaram, muitos morreram no sacrifício de fazé-la possível”.

Disse, ainda, da importância da reativação da EFMM para o patrimônio cultural brasileiro e agradeceu ao Governador Jorge Teixeira de Oliveira por seu empenho na recuperação da EFMM e à comunidade de Rondônia pelo seu esforço em ver a ferrovia funcionar novamente. Por sua vez, o Governador Jorge Teixeira reafirmou o seu compromisso de levar em frente a recuperação da EFMM e anunciou a vinda de uma máquina de Tubarão, em Santa Catarina, para ser utilizada na continuação dos trabalhos. Jorge Teixeira disse, ainda, que o Governo de Rondônia, a partir daquele momento, iria se empenhar na reativação do segundo trecho, de Santo Antônio do Madeira até a Fortaleza do Abunã. Como o Secretário Aloisio Magalhães, o Governador prestou homenagem aos que morreram durante a construção da ferrovia, em fins do século passado e início do atual, e dedicou a eles e à população de Rondônia a reabertura da estrada. “Muitos foram prematuramente, dando a vida pela estrada”, afirmou Jorge Teixeira, lembrando, ainda a dedicação dos ex-ferroviários, cuja participação, segundo ele, foi decisiva para a reativação da EFMM. Pediu a continuação dos esforços entre o Governo e a comunidade para que a ferrovia possa ser recuperada em toda a sua extensão. Ainda no palanque, foi feita a apresentação do Grupo de Coordenação Técnica para a Restauração do Patrimônio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cuja criação estava prevista no documento final do Seminário realizado em novembro do ano passado em Porto Velho, e que tem por objetivo elaborar um programa de trabalho que implementa, no momento, as recomendações do encontro, articulando organismos direta ou indiretamente envolvidos na reativação da EFMM, bem como a comunidade, e indicando os meios necessários à execução das medidas propostas. O Grupo é constituído por representantes da Secretaria da Cultura e da Fundação próMemória, Governo de Rondônia, Prefeituras de Porto Velho e Guajará-Mirim (ponto final da estrada, à margem do rio Mamoré na fronteira com a Bolívia), SUDECO, Instituto dos Arquitetos do Brasil – seção Rondônia, Instituto Histórico e Geográfico do Território, Ministério dos Transportes e de Joventino Ferreira Filho, um …

… o Secretário da Cultura do MEC, Aloisio Magalhães, e o Governador Jorge Teixeira assinaram um convênio que visa a recuperação, preservação e utilização dos bens culturais situados no Território de Rondônia, com ênfase à EFMM e ao Forte Príncipe da Beira, na divisa com a Bolívia, construído durante a primeira metade do século XVIII.  Segundo o convênio, a realização das ações, no que se refere à EFMM, deverá pautar-se pelas orientações do documento final resultante do Seminário, que reúne o conjunto de recomendações de curto, médio e longo alcance, para a reintegração da ferrovia no contexto de sua influência. O convênio é um dos resultados do trabalho desencadeado pela equipe da SPHAN/próMemória responsável pelo projeto “Memória Histórica da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”. Para que os objetivos do convênio sejam alcançados, as partes envolvidas deverão agir em conjunto no sentido de fazer, entre outros trabalhos, um inventário geral e pormenorizado do patrimônio da EFMM, o qual se constitui do solo, bens móveis e imóveis e do arquivo documental referente às administrações desde 1907 até hoje, e reintegrar ao patrimônio da ferrovia bens que se encontram em poder de terceiros. Será executado, também, um recolhimento sistemático da documentação e fontes de pesquisas sobre o passado da EFMM, sua operação, desativação e a atual retomada dos propósitos para sua reintegração na sócio-economia local, com edição do material correspondente a estes levantamentos. O convênio prevê, ainda, uma promoção de iniciativas no sentido da divulgação mais ampla dos vários aspectos de interesse da EFMM, visando a atribuir maior importância a seu papel no contexto da história do Brasil, e, também, o desenvolvimento, em conjunto com a comunidade, de formas de devolução dos resultados do trabalho, e de planos alternativos para a utilização do acervo ferroviário.

A assinatura do convênio

Em um nível mais geral, pretende-se a consolidação de uma legislação a nível de Território sobre a preservação do patrimônio histórico, cultural, ecológico e ambiental da região e a realização de estudos para o tombamento de bens móveis e imóveis de interesse cultural e sua consequente restauração e conservação.

Diretorias Regionais da SPHAN/próMemória (com sedes em Belém e Brasília, respectivamente), juntamente com a equipe responsável pelo projeto Madeira-Mamoré, estão realizando estudos para o tombamento dos bens imóveis da EFMM e assessorando a implantação da legislação de proteção do acervo ferroviário …

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Museu

Cachoeira: Patrimônio da Nação a ser revitalizado

Vereadores; a definição de uma política municipal de defesa do patrimônio …

Medidas a curto prazo no sentido de revitalizar o expressivo acervo histórico-artístico-cultural do Município. Esta posição sintetiza as aspirações da comunidade de Cachoeira, reveladas quando da realização do Seminário sobre Preservação e Valorização do Patrimônio Cultural e Natural da Cidade de Cachoeira, de 23 a 26 de março passado. O encontro reuniu membros da população daquela cidade do interior baiano e
representantes dos órgãos federais, estaduais e municipais diretamente envolvidos em ações para a valorização do patrimônio cachoeirano, num amplo processo de reflexão sobre essas ações e a adoção de critérios visando à sua ampliação e dinamização (SPHAN nº 16, pág. 20). Durante os debates ocorridos em plenário e nos textos dos relatórios elaborados pelos grupos de trabalho, compostos em sua maioria por pessoas da comunidade, ficou patente o anseio dos cachoeiranos pela adoção de medidas urgentes capazes de darem novo impulso à vida da cidade e do Município, que hoje passam por uma situação aflitiva, vendo o seu grande potencial cultural em crise devido não só à estagnação econômica que atinge a região, mas também à falta de …

A cidade, como outra qualquer, aspira pelo desenvolvimento, por um progresso baseado em seus autênticos valores culturais, que existem, mas precisam de apoio para serem revitalizados. A implantação de um Plano Diretor, a ser elaborado em conjunto pela SPHAN/próMemória, Governo Estadual e Municípios de Cachoeira e São Félix com vistas à compatibilização do desenvolvimento das duas localidades com a preservação do seu patrimônio histórico-artístico-cultural; a instalação de um escritório técnico da SPHAN/próMemória, que contaria com o apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e da Prefeitura Municipal de Cachoeira, para assessorar a população, elaborar projetos e atender a casos de emergência com um “pronto-socorro de obras”; por parte da SPHAN/ próMemória de uma cartilha, em linguagem acessível, sobre a legislação de proteção ao patrimônio e o significado do tombamento de Cachoeira como…

Pequena história da ferrovia …

… é colocada numa carreta …

Pará tem recursos para restaurar. Entidades locais e comunidade. Além de fotografias, a memória da EFMM está sendo documentada através de uma série de videocassetes, cuja elaboração tem a participação de alunos e professores como pesquisadores. Os tapes serão exibidos em circuito fechado nas escolas de Porto Velho e municípios de Rondônia, bem como em circuito aberto para todo o Território. O primeiro vídeo-cassete já está praticamente pronto e deverá ser exibido em julho.

… 0 museu reúne grande número de peças ferroviárias, inclusive a velha locomotiva número 12, a “Coronel Church” nome dado em homenagem ao coronel norte-americano George Earl Church, que, em 1872, idealizou a ferrovia. A máquina foi a primeira a chegar à Amazônia, trazida para Rondônia pela firma P.T. Collins, em 1878. A locomotiva participou da inauguração de 6 quilômetros de linha em 1879, tendo tombado na ocasião; posteriormente foi recuperada e utilizada em 1912, quando da …

Depois, recuperada, participou do funcionamento da ferrovia, já neste século e, após a desativação em 1972, a locomotiva …

O Território Federal de Rondônia deve a sua existência à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que, durante 60 anos, foi o esteio do desenvolvimento e progresso da região. Marco decisivo da colonização de Rondônia, a EFMM foi idealizada em 1872 pelo coronel norte-americano George Earl Church, que, dois anos antes, obteve do Brasil a concessão para construir a ferrovia, através de sua empresa, a Madeira and Mamoré Railway. Para tanto, Church contratou a construtora britânica Public Works e contraiu empréstimos europeus. Dez meses depois, o pessoal abandonou o local das obras, deixando para trás todo o material e nenhum metro de trilho implantado: logo que chegaram em 1872, operários e engenheiros contratados pela companhia perceberam que a região era inóspita e de difícil habitação. Não resistiram e muitos morreram vitimados pelas febres, má alimentação e condições climáticas. A construção da ferrovia durou mais de 6 anos, após as frustradas tentativas nos anos de 1872, 1874, 1878 e 1883. Somente depois da assinatura do Tratado de Petrópolis entre Brasil e Bolívia, em 1903 – que pôs fim ao litígio de fronteira entre os dois países pela posse do atual Estado do Acre – a conclusão da EFMM pode ser levada a termo, no ano de 1912. A ferrovia foi concebida como fator de integração regional e de intercâmbio comercial entre o Brasil e a Bolívia e teria como principal função contornar o trecho encachoeirado do rio Madeira, para permitir o escoamento fluvial dos produtos de exportação da Bolívia e da Amazônia brasileira.

Desde o século XVII, a Bolívia, sem saída para o mar, já alimentava o projeto de construir uma via de comunicação com o Brasil, que lhe desse acesso ao rio Amazonas e daí ao Atlântico, por onde escoaria seus produtos de exportação. Também ao Brasil, que vivia a época áurea da borracha, interessava uma saída que superasse o obstáculo representado pelas corredeiras do Madeira.

Em 1861, Brasil e Bolívia concretizaram a ideia da construção da ferrovia ao longo do Madeira. Foi a Bolívia quem conseguiu do Brasil a concessão para que o coronel Church construísse a EFMM, mas a tentativa falhou. Em 1874, chegou ao local das obras a Dorsay Caldwell, norte-americana, que também não levou a termo a empreitada. A P.T. Collins veio em seguida e chegou à falência. Parecia impossível aos estrangeiros construir uma ferrovia em plena selva. Após muitas mortes de engenheiros e operários, o Brasil decidiu assumir a responsabilidade de concluir a ferrovia. Por fim, no dia 19 de agosto de 1912, a EFMM era inaugurada. Neste ano eclodiu a crise da borracha no país, e, a partir daí, a estrada entrou em declínio. Em pouco tempo, tornou-se deficitária, com crescentes prejuízos. Diante da situação …

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Madeira-Mamoré: Bens móveis serão recuperados

“No entanto – frisou – para a sua total restauração será necessário um levantamento arquitetônico detalhado, ao contrário da recuperação de um vagão, guindaste ou locomotiva”. A observação reforçou a decisão do Grupo de Coordenação Técnica em dar prioridade, numa primeira etapa, à recuperação de bens móveis do acervo da ferrovia.

APOIO

O Ministério dos Transportes pretende colaborar e participar do…

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Meta de ex-ferroviários é levar a Madeira-Mamoré até Guarajá-Mirim

Foi o mesmo que tivesse morrido alguém da família. Uma tristeza. “Nas palavras do ex-ferroviário Jokeid da Silva, aposentado em 1965 por motivo de acidente de trabalho, foi assim que a população de Porto Velho e e arredores recebeu, em 1972, a notícia da desativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) por ordem do Governo Federal, que considerou a ferrovia anti-econômica na época.

Jokeid, 25 anos de serviços prestados à EFMM – lá começou em 1940 como motorista chegando à mestrança e, após o acidente, deslocado para trabalhar no escritório – era um dos muitos ex-funcionários da ferrovia presentes no pátio da Estação, em Porto Velho, na histórica manhã do dia 5 de maio de 1981, data em que a velha Baldwin número 15, procedente de Santo Antônio do Madeira, chegou à Estação apitando e soltando fumaça, anunciando a reativação da “Ferrovia do Diabo”. A Madeira-Mamoré voltou para ficar. A meta agora é levá-la até Guajará-Mirim, como antigamente. Esta era a opinião unânime entre ex-ferroviários que, eufóricos e emocionados, prestaram depoimentos, apresentados a seguir em forma de entrevista.

Eu sou filho do ex-ferroviário Joventino Ferreira do Nascimento, hoje falecido. Cresci vendo essa estrada em plena atividade. Como filho de ferroviário, minha opção de trabalho, como de tantos outros companheiros, também era a ferrovia, onde comecei como aprendiz de motorista na garagem de auto-linha. Posteriormente, fui deslocado para o escritório da Madeira-Mamoré, onde exerci as funções de servente, escriturário, datilógrafo e auxiliar do do engenheiro Andrade, chefe da via permanente durante muitos anos. Isso tudo, até chegar a chefe da via permanente no tempo da Rede Ferroviária Federal, em 1963. Em 1964 fui para a Junta Diretora do Amazonas, mas sempre com a vida ligada à estrada. Durante esses anos todos, meus companheiros e eu servimos à Madeira-Mamoré com satisfação …

Daí, você pode imaginar como nós estamos nos sentindo hoje. É como se o ente querido tivesse ressuscitado.

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Joaquim – A reativação da Madeira-Mamoré é um orgulho para mim e todo o povo da região, que renasce com a volta do trem. Eu nasci no Rio Grande do Norte, mas vim para cá com minha família aos 4 meses de idade e por aqui fui ficando. Não conheci pai, pois quando nasci ele já era falecido. Não resistindo às adversidades no Rio Grande do Norte, minha mãe resolveu vir com a família para Porto Velho que, na época, era um pequeno povoado. Fiquei amando esta terra como uma aproximada mãe; a Porto Velho devo toda a minha existência, foi onde eu recebi a água que bebi e o pão que me alimentei. Fui servente da Estação da Madeira-Mamoré durante longos anos e chorei quando a estrada foi desativada. A minha emoção com a volta do trem é demais. Eu comparo a ressureição da ferrovia à de Lázaro e comparo a sua construção a um tesouro soterrado, que agora aflora.

Jokeid – Meu trabalho na Madeira-Mamoré começou em 1940 como motorista de 3ª classe, passando pela 2ª chegando à 1ª classe. Cheguei à mestrança nível 13, quando sofri um acidente. Recuperado, passei a trabalhar em serviços de escritório, coordenando as oficinas, dando assistência às máquinas. Devido à saúde abalada resolvi aposentar em 1965, quando ainda tinha mais alguns anos de tempo de serviço. Sofri o acidente em 11 de fevereiro de 1955, quando no Km 39 a automotriz Brasil que nos conduzia chocou-se com um trem de serviço parado na linha. Foi um choque tão violento, que a automotriz ficou montada no engate do vagão. Fiquei em estado de coma durante 8 dias no Hospital São José. Um outro colega, auxiliar de motorista da automotriz, levou um baque na espinha dorsal, vindo a falecer no dia seguinte. Saindo do hospital, passei uns dias em casa e depois fui para São Paulo, onde fiquei internado durante 12 dias no Hospital de Sorocabana. Depois voltei para o trabalho, ficando lotado no escritório. Mesmo depois de aposentado não abandonei a estrada.

Agora, a estrada está reativada até Santo Antônio do Madeira; o trecho, apesar de significativo, é pequeno. A Madeira-Mamoré …

Aliás, esta é a meta de todos nós: Governo, ferroviários e comunidade. A estrada precisa voltar a funcionar até Guajará-Mirim, pois ela significará uma grande força para o futuro Estado de Rondônia, para seu povo e sua economia. Já estamos, inclusive, começando a preparar pessoas daqui mesmo para assumirem a operação da estrada. É pensamento nosso orientar o pessoal mais novo, funcionando como multiplicadores de experiência de ex-ferroviários. Por aqui tem muitos filhos de ex-funcionários da ferrovia interessados em aprender a lidar com as máquinas. É com esse pessoal, que já fez cursos de mecânica no SENAI, que vamos trabalhar. E mais o pessoal da …

Então, essas pessoas e os aposentados vão auxiliar o preparo da gente nova daqui mesmo, pois trazer gente de fora ficaria muito dispendioso. Com o pessoal preparado, poderemos pendurar as chuteiras …

Joventino – Disposição de levar a Madeira-Mamoré até Guajará-Mirim a classe ferroviária
tem. Mas sem o apoio das autoridades governamentais vai ficar difícil. Precisamos contar com os recursos …

O Governo de Rondônia já se comprometeu a recuperar a linha até Abunã, o que será um
grande passo. Creio no total reativação da Madeira-Mamoré, pois ela será de grande valia futuramente, quando o Território se transformar em Estado. A volta da ferrovia vai possibilitar o ressurgimento das localidades ao longo da linha e pequenos sítios, cujos donos abandonaram quando da desativação da estrada.

Isso vai fortalecer a economia da região, o transporte vai baratear em relação ao que está hoje com o uso da rodovia.

Joaquim – Eu, pessoalmente, creio na total reativação da Madeira-Mamoré. Todos nós estamos empenhados em levá-la até Guajará-Mirim. Acho que pela boa vontade dos Governos Territorial e Federal não faltarão recursos para que os trabalhos prossigam. A recuperação da ferrovia não vai custar muito dinheiro, pois ela já tem um piso, o que facilitará …

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Assim começa o documento final aprovado pelos participantes do seminário que, antes de passar às recomendações, ressalta a decisiva importância da ferrovia para o processo de colonização e desenvolvimento de Rondônia e o legado histórico, social e cultural que ela representa. A principal recomendação do documento é a “reativação completa da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, de Porto Velho a Guajará-Mirim, dentro de um plano regional integrado que vise favorecer a promoção do homem, iniciando-se pela imediata reconstrução do trecho Porto Velho ao quilômetro 25, com ramal até o Salto do Teotônio, e o trecho restante a médio prazo, levando-se em conta as condições sócio-políticas e culturais da região, bem como a viabilidade técnica e econômica do empreendimento”.

Segundo o documento, a reativação completa da ferrovia deve ser considerada tendo em vista a necessidade de reintegrar as comunidades situadas ao longo da linha férrea, tais como Santo Antônio do Madeira, Rema, Teotônio, Pedra Canga, São Carlos, Caracol, Jaci-Paranã, Mutum-Paranã, Abuna, Mutum-Paranã, Abuna, Vila Murtinho, lata, Vila Nova e Guajará-Mirim. Além disto, considerou-se o escoamento da produção de projetos agrícolas do vale do Guaporé e outras localidades; o transporte de gado, borracha, cassiterita e castanha da Bolívia; o transporte de castanha de Guajará-Mirim, Fortaleza do Abunã e Acre; da cassiterita e outros produtos de Mutum-Paranã, e ainda a possibilidade da ferrovia ser utilizada como transporte urbano e interurbano, além do fato de que a ‘política nacional de transportes, diante do problema energético, recomenda a substituição de rodovias por ferrovias. Ao lado desta recomendação, o documento prescreve diversas medidas de proteção e preservação do patrimônio da Madeira-Mamoré, “que são de caráter urgente, realizáveis a curto prazo e com baixo custo”, tais como inventário geral dos bens, reintegração dos bens que estão em poder de terceiros, recolhimento sistemático de documentação e fontes de pesquisa e a proposição de planos alternativos de uso, em caráter provisório, das instalações da ferrovia para atividades culturais e educativas.

O seminário preocupou-se também em recomendar a utilização dos dispositivos legais que dispõem sobre a proteção de áreas de interesse turístico, histórico, cultural e paisagístico, além de promover o tombamento dos bens móveis e imóveis de interesse cultural, nos níveis federal, territorial e municipal.

ASSOCIAÇÃO E GRUPO TÉCNICO

Para a operacionalização das recomendações do seminário, o documento recomendou que se promovam “os entendimentos necessários à criação de um Grupo de Coordenação Técnica, com a finalidade de  elaborar um programa de trabalho que implemente as recomendações, articulando os organismos diretamente ou indiretamente envolvidos bem como a comunidade, e indicando os meios necessários à execução das medidas propostas”. O grupo, segundo o documento, “deverá ser constituído de elementos representativos da comunidade e dos três níveis de governo, aproveitando sempre os elementos que participaram desse seminário e divulgando amplamente o programa de trabalho”. Entre as moções aprovadas pelo seminário encontra-se o apoio à constituição de uma Associação dos Ex-Ferroviários e Amigos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que atualmente está sendo articulada em Porto Velho.

O seminário sobre a Madeira-Mamoré fez parte do projeto de preservação da memória da ferrovia que vem sendo desenvolvido pela Fundação Nacional próMemória (SPHAN/próMemória 8, pg. 11) e que se iniciou pelo recolhimento de toda a documentação relativa à construção e ao funcionamento da estrada. O interesse da próMemória nasceu quando, em 1979, realizou-se uma intensa mobilização da comunidade rondoniense para impedir uma licitação que levaria todo o patrimônio da ferrovia a ser vendido como sucata. Juntamente com o seminário foi realizada uma exposição das fotografias tiradas pelo norte-americano Dana B. Merrill, fotógrafo contratado pela companhia construtora para documentar todos os trabalhos de construção. São fotos …

1979

IPHAN – CNRC – PCH

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Ela integrara-se plenamente aos costumes e necessidades da região. Aquilo que fora (ou é) um símbolo de uma das maiores epopeias deste século servia como meio de transporte regular das populações ao longo de seus trilhos. Agora num esforço conjugado de diversas entidades, pode-se conseguir não apenas a recuperação do passado heróico, mas também, como é da orientação da Fundação Nacional próMemória, inserir esse bem cultural na vida cotidiana das populações que, afinal, são suas detentoras.

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