Gagárin and Art

1961

Módulo: revista de arquitectura e artes visuais no Brasil

  • p. 44

O pernambucano Aloisio Magalhães antecedeu o norte-americano Alfred Jansen. Nos meados do ano, na Petite Galerie, em Ipanema, apresentou um quadro que se intitulava “A Terra é Azul”. Foram palavras — dizem, poéticas do cosmonauta soviético no espaço sideral. Agora, em setembro, no Museu Guggenheim, em Nova York, Alfred Jansen apresentou uma série de dezesseis quadros inspirados no vôo espacial de Gagárin. As observações cromáticas do astronauta, publicadas em toda parte, confirmam as teorias de Jansen sobre esse assunto. Um dos quadros contém um recorte de jornal datado de 14 de abril de 1961. A isso, o artista acrescenta:

“Bravo, Gagárin. Sabia que era assim”.

Além disso, inclui uma citação de Goethe:

“Formas concavas produzem um senso convergente e pode-se distinguir arestas laranja; formas convexas produzem um senso divergente e pode-se distinguir arestas azuis. No espaço, as polaridades separam-se, e novamente juntam-se, são cruzadas as fronteiras da escuridão para as da luz”.

Jansen procura dar expressào pragmática à sua visão imaginária do espaço, o que procura apoiar cientificamente com duas décadas de estudo do Tratado das Cores de Goethe, o grande estudo sobre a cor de autoria do poeta.