Conjuntura Econômica

12/1973

UMN Libraries 2011

  • p. 149

Produtos Beija-flor

… econômicos da importação segundo alguns não se restringe ao pagamento pelo uso de marcas e patentes não nacionais, o País, em muitos setores, viria importando uma tecnologia já obsoleta nos países geradores que veriam como vantajosa sua implantação nos países consumidores.

De qualquer modo, já há setores que evidenciam uma atuação mais impetuosa dos designers brasileiros. Assim faz-se sentir, no setor de móveis, calçados e estamparia, uma criação nacional mais autônoma, o mesmo ocorrendo no setor da da programação visual, em exposições, stands e logotipos. O que vem ocorrendo é uma progressiva especialização do design nacional. Tal especialização é caracterizada por uma distorção dos melhores objetivos dos que — pelo menos desde o movimento da Bauhaus — tentam ligar arte e indústria, beleza e funcionalidade. Nosso desenho industrial parece reduzido a produzir artigos comercializados através de um varejo de luxo, onde se vende objetos de uso quotidiano (copos, talheres etc.), elementos para decoração interna e alguns jogos. Cria-se, deste modo, uma espécie de indústria artesanal, com a fabricação de um número restrito de unidades de mercadorias de uso conspícuo. Este insulamento acaba por reforçar a noção esteticista que vê o designer como alguém preocupado em criar coisas bonitas e supérfluas. Mas o desenho industrial tem objetivos menos restritos; deve-se voltar para a criação de produtos que visem um consumo maciço, aliando padrões estéticos elevados à economia e funcionalidade do que elabora. Outro descaminho que segue o desenho industrial aqui existente é o que faz com que ele se volte para o desenho industrial estrangeiro sem uma visão crítica mais acentuada, mesmo quando tem margem para tanto. Ao fazer isso, o designer brasileiro esquece as determinações do País em que vive: abandona as matérias-primas de que dispõe com maior facilidade e esquece a tradição cultural nacional (“popular” ou “erudita”) que é suficientemente rica para estabelecer padrões estéticos peculiares e não meras contrafacções.

Josine des Cressonnières, secretária-geral do Conselho Internacional das Sociedades de Desenho Industrial (ICSID), declara — no relatório a ela encomendado pelo Governo brasileiro sobre o estado do desenho industrial nacional, e após visitar um grande supermercado paulistano — “Noventa e oito por cento dos produtos são de fabricação brasileira, mas muito poucos tem uma característica própria. Tem-se, sobretudo, a impressão de um amontoado cosmopolita de qualidade baixa”. A exiguidade do mercado de trabalho e a ausência de uma formação universitária mais difundida são causa e reflexo de tal dependência de núcleos geradores estrangeiros. A baixa demanda de projetos de autores brasileiros desestimula.

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