Patrimônio

1981

Cultura

Natural ou cultural; é o sitio, o monumento propriamente dito, edificação ou obra de produção erudita ou popular, ou o patrimônio natural, ou mesmo um determinado saber ou fazer, que, integrando a cultura de nosso país, …

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Cumpriu-se o primeiro requisito, graças ao devotamento do mentor sem igual e dos sucessores à altura de continuar-lhe atuação e estilo, no fazer cotidiano. Preencheu a outra exigência a qualidade sem par dos colaboradores convocados: Lúcio Costa, Renato Soeiro, Oscar Niemeyer, Alcides da Rocha Miranda, Paulo Barreto e José de Souza Reis, na arquitetura; Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, na literatura; Luiz Jardim, na ilustração; Joaquim Cardoso, na engenharia. Outros, no Rio e nos estados, vieram juntar-se ao grupo. Entre eles o saudoso escritor e arquiteto Sílvio de Vasconcelos, a quem se deve síntese de realizações, posteriormente muito enriquecida: “Resultado dessa extraordinária atuação de Rodrigo é o valor do acervo tradicional brasileiro preservado, e a correção absoluta dos trabalhos empreendidos pela equipe. Todos os elementos mantidos intatos em sua autenticidade, os planos primitivos recuperados, a história refeita, as autorias estabelecidas e tudo executado dentro de um rigor que hoje desperta encômios da técnica e crítica universais.

Foi então que Gustavo Capanema, um ministro fora da bitola vulgar, chamou Mário de Andrade e pediu-lhe um anteprojeto de órgão federal que pusesse termo a essa tristeza. Do estudo inicial de Mário resultou, após meditação e debate, a lei que criou o DPHAN quando este já funcionava em caráter experimental, sob a direção de Rodrigo desde a primeira hora.

Paralelamente, três dezenas de publicações, revistas e livros foram entregues à cultura nacional, organizados com um discernimento sem reparos, na feição e no teor, constituindo hoje coleção ímpar na bibliografia brasileira”.

Aloisio Magalhães. Em perspectiva bem mais favorável, com órgãos estaduais e até municipais congêneres, agindo em sintonia com a Subsecretaria Federal, retomou os princípios originários, a fim de lhes dar aplicação, na conjuntura sócio-econômica de hoje.

Dogmas cristãos e fatos bíblicos, cenas comoventes do Evangelho e legendas dos santos e mártires, a história do país e da cidade, tudo se desdobrava ante os olhos como um drama vivo.

A arte há de ser um apostolado para o bem, e o artista tem necessidade de viver. Se os homens que podem não lhe dão proteção, e a sociedade lhe exige, não o verdadeiro e o belo, mas produções inferiores, imorais, ele descerá das esferas superiores em que deve pairar o gênio, seus instrumentos de trabalho se fazem meios de transmissão de morte, e, em vez de potência moral para fazer subir as almas, serão aparelhos destinados a fazê-las descer das alturas em que devem respirar”.

“Hoje a situação se tornou bem diferente. Já se fala em valores culturais que preservar, não em sentido vagamente metafórico, aplicável a frágeis realidades históricas e artísticas, nem sequer credoras de respeito mínimo das “criaturas em prosa’, que as consideravam, desdenhosamente, simples alvo da contemplação de poetas e de eruditos.

Apesar das consabidas dificuldades atuais, dota-se essa secretaria de verbas, quanto possível suficientes. Dinamiza-se a filosofia tradicional que lhe inspirou a concepção. Cria-se a Fundação Nacional próMemória. As preciosidades do passado e da arte, guardadas nas cidades históricas, tornam-se elementos educativos para o povo das ruas, desde a escola e pela vida afora, através de participação pessoal de todos os dias, além de atraírem visitantes interessados pelo turismo cultural, principalmente.

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