Lisbela e o Prisioneiro – Notícias do Recife

Themira Pontes

1960

Leitura

  • p. 55

Fora das normas habituais, esta seção vai se ocupar de um acontecimento ocorrido no Rio. Assim será, porque salienta a consagração de mais um autor pernambucano — que vive no Recife, recém-saído de sua Universidade, onde fez o Curso de Dramaturgia — Osman Lins. Com sua peça “Lisbela e o prisioneiro” estreada a 13 de abril no Teatro Mesbla, pela Cia. Tônia-Celi-Autran, depois de vencer sessenta concorrentes no Concurso instituído por esta Companhia, com o fim de selecionar peças inéditas de autor brasileiro para seu repertório, Osman Lins coloca-se em posição de igualdade aos melhores autores nacionais. Tive a sorte de estar no Rio, quando Tônia Carrero estreou “Lisbela” e apesar de não ter podido partilhar da exaltação do público na noite de estréia — soube-a por informação dos próprios atores — assisti a comédia em sua segunda representação, com uma das maiores alegrias já recebidas do teatro.

Há as diferenças de sotaque, a entonação do diálogo, a dificuldade em distinguir no folclórico o autêntico do falso, tudo isso para complicar o trabalho do diretor e expô-lo ao risco de resvalar num desvirtuamento intolerável. Todas essas dificuldades foram dominadas pela maestria de Adolfo Celi, que provou mais uma vez a versatilidade e a profundeza de seus conhecimentos de direção. Apresentou um espetáculo ótimo, desde a escolha do texto até o cenário, a música dos entreatos, os figurinos, os pertences de cena, tudo enfim. Na interpretação, há criações inesquecíveis e a maioria dos atores se coloca em nível tão bom que é impossível destacar nomes, sendo, por outro lado injusto não fazer referência a quase todos: Paulo Autran, Sadi Cabral, Sebastião Vasconcelos, Pedro Pimenta, Ivan Candido, Valter Tobias, Antônio Ganzarolli, a própria Tônia em seu pequeno papel e a Aloisio Magalhães como cenarista e figurinista.

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