Solange Valborg Magalhães (Cosne-Cours-sur-Loire 1939)

Solange Magalhães (franco-russa)

Solange: uma verdadeira

inauguração

Clarice Lispector

Como lhe nasceu a vontade de pintar? Ela sempre rabiscava. Até que Aloisio seu marido, lhe perguntou: “Por que não leva a sério o que você faz?” “Mas esses rabiscos?” “Sim, esses rabiscos…”

Clarival do Prado Valladares

Ajudou muito a Solange ser esposa de Aloisio Magalhães, aquele pintor do abstracionismo lírico de quinze anos passados, aplaudido pela crítica coletânea e que, por discernimento autocrítico, se decidiu ao estudo da teoria, chegando a formar uma das escolas pioneiras em nosso país… Solange tomou o caminho oposto, isto é, do lógico para o lírico, o que se torna mais desfavorável em razão do instrumental próprio do pensamento racionalista de que não poderá desprender-se.

1980

Max Bense

Expor de tempo em tempo as obras de um artista brasileiro já faz parte da tradição da Studiengalerie. Começou no final da década de 1950 com a pintura concreta de Mavignier que estudava então na Hochschule für Gestaltung em Ulm, atualmente professor em Hamburgo. Logo após sucederam-se duas exposições de Bruno Giorgi. Suas esculturas metálicas de placas e de hastes lembram Giacometti. Depois Alfredo Volpi e suas transformações a partir de motivos folclóricos em fachadas abstratas e em patterns concretos. Lygia Clark e suas esculturas flexíveis e variáveis em forma de poliedro, Aloisio Magalhães e uma série de fotografias – A História de um Signo – (para o 4º Centenário do Rio de Janeiro) e, finalmente a poesia concreta do grupo Noigrandes, e também Mira Schendel com discos e folhas cobertos de caracteres caligráficos.
E agora Solange Magalhães e suas paisagens dedicadas antes de tudo ao Rio, e, antes de tudo, ao que faz parte desta cidade mundial, à margem e também margem de um continente: a linha amarela da praia, os morros cônicos, calvos e sem vales da Baía da Guanabara, o mar… mais dedicadas também a outras Regiões do Brasil, Norte, Equador e interior do país: aparentemente uma reação em resposta à evolução folclórica não-figurativa e concreta da pintura no Brasil. Mas não nos enganemos: a representação de aparência descritiva foi, na realidade, reduzida e abstratizada, e não esconde seus traços formais e emancipados. Ela estudou Física Teórica, donde conhece também a análise espectral e fenomenal das cores, suas possibilidades autônomas de transparência, sua qualidade vítrea no mundo real, as sutilezas na improbabilidade de seus contornos lineares, o que torna possível o que ela quer: a representação esquemática da “paisagem” como REALIDADE ESTÉTICA.
Mas isso ela também o diz pessoalmente…

1995

Fernando Cocchiarale

Com o passar do tempo, é claro, depois de ter adentrado e firmado esta autonomia, ela tornou-se mais consciente. Fui adquirindo confiança. Tive a grande sorte de ser casada com Aloisio Magalhães. Ele tinha um olho extraordinário, além de uma grande sensibilidade e intuição. Não só me deu o maior apoio como nunca tentou interferir. Pelo contrário, às vezes ficava calado demais (no meu entender da época) e me deixava procurar desesperadamente soluções que me pareciam impossíveis. Como ele estava certo!

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