HÁ FOLHINHAS E FOLHINHAS

1961

UT Libraries 2008

Visão – Arte

Vol. 18

Os calendários que se destacam pelas suas qualidades artísticas e gráficas conseguem um grande impacto

  • p. 54

Uma das finalidades da mostra foi estimular as edições nacionais de calendários artísticos, ainda tão escassas, despertando a atenção das grandes empresas, entidades culturais e oficinas gráficas.

Todos os anos uma enorme quantidade de calendários é editada sem qualquer preocupação. Entretanto, a verdade é que todos aqueles que se destacam pela sua qualidade artística e gráfica alcançam um impacto publicitário que compensa os cuidados dispensados à sua confecção.  A exposição — organizada por Maria Eugênia Franco, crítica de arte e chefe do Serviço de Belas Artes da Biblioteca Municipal — foi inspirada pela crônica que o escritor Luís Martins publicou em O Estado de S. Paulo, a 5 de fevereiro último.

A direção do Serviço de Belas Artes da Biblioteca, interessada em reunir tudo o que se relaciona com edições de arte no Brasil, procurou colher o ‘material para esta mostra diferente’, que foi dividida em dois setores: calendários de propaganda turística e de propaganda comercial.

Ao penetrar no saguão, o visitante tinha logo a sua atenção voltada para a folhinha da Shell do Brasil, trabalho do pintor Aloisio de Magalhães e dos fotógrafos Humberto e José Franceschi, impresso pela Gráfica Bloch, do Rio de Janeiro. A folhinha reproduzia um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha e gravuras de Theodor de Bry, gravador alemão que se utilizou das ilustrações reproduzidas em volumes da Biblioteca Histórica Brasileira. Destacam-se na folhinha a ampliação de parte do texto original da carta de Caminha, a excelente valorização das gravuras antigas, a escolha dos caracteres tipográficos e a harmonia das barras de cor, numa combinação feliz da arte do passado com as modernas concepções tipográficas.

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