3ª Mostra do acervo da PG

Leitura, 1960.

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A terceira mostra do acervo da PG constou de trabalhos de MARIA LEONTINA, ENRICO BIANCO, ALOISIO MAGALHÃES, MANABU MABE (pintura); OSWALDO GOELDI e ROSSINI PEREZ (gravura). Os quatro trabalhos de GOELDI foram expostos como uma espécie de pequena homenagem póstuma ao grande gravador desaparecido, e bastariam somente eles para elevar o nível de qualquer exposição. MARIA LEONTINA não estava representada por seus melhores trabalhos, mas é sempre inegável a alta qualidade desta grande pintora. BIANCO continua — lamentavelmente — com seus “pastiches” de PORTINARI, e MAGALHÃES se realiza de forma muito mais positiva em seus trabalhos gráficos. MABE não tinha trabalhos bons — resultado de má escolha ou de super-produção. A sua capacidade de trabalho parece estar em desacordo com a sua fama, que veio com uma rapidez algo exagerada. As gravuras de PEREZ continuam um pouco vazias, de composição defeituosa. E por que apresentar diversos “estados” de uma gravura? É falta de modéstia ou falta de noção.


RAFAEL ESQUIRRU

Esteve no Rio, muito rapidamente, o dinâmico RAFAEL ESQUIRRU, diretor do Museu de Arte Moderna de Buenos Aires. Junto com o Embaixador J. C. MUNIZ, que possui uma esplêndida coleção de pintura moderna, sobretudo de autores argentinos, e que já foi crítico de arte, ESQUIRRU visitou alguns artistas em seus ateliers, e sei que gostou dos trabalhos de IVAN SERPA (em sua esplêndida nova fase), IBERÊ CAMARGO, MILTON DACOSTA, MARIA LEONTINA, FANK SCHAEFFER, ROBERTO DE LAMONICA, JIVA ROLLA, IVAN FREITAS e alguns outros. Haverá este ano um grande movimento de intercâmbio artístico entre o Brasil e a Argentina, incentivado pelo Embaixador do país vizinho e pela Divisão Cultural do Itamarati.

IBEU

A Galeria IBEU, depois de encerrar a mostra de IVAN FREITAS, ENIO LIPPMANN (os dois artistas que des pertaram os melhores e mais merecidos comentários: HUMBERTO CERQUEIRA e VERA SANTANNA, inaugurará uma grande exposição intitulada “O ROSTO E A OBRA”.

Trata-se de mais de trinta retratos fotográficos de artistas brasileiros feitos pelo fotógrafo amador MAX NAUENBERG, que prova êle mesmo ser um artista de grande classe, e que serão acompanhados cada um por uma obra do respectivo artista, e alguns detalhes biográficos. Além do valor intrínseco das fotos e das obras, a exposição ainda tem um outro sentido: estabelecerá um contato mais direto entre o artista e o público, fazendo conhecer ao público não somente a obra mas também o rosto do artista. Haverá retratos e trabalhos de pintores, gravadores, desenhistas e escultores, todos pertencentes à primeira fileira dos artistas brasileiros.