Anuário da Literatura Brasileira

1963

IU Libraries 2011

1962/63

  • p. 163

Está portanto a UBE realizando seu programa, trabalhando de maneira eficiente e adequada pela difusão de nossa cultura e pela confraternização dos escritores brasileiros, dando aos seus festivais um caráter de muitas obras de jovens estreantes, ou velhos como a de Antonio José Saraiva, A Obra literária como Significante. Aspecto Sociológico da Crítica no Século XX, por Adolfo Casais Monteiro, apresentando o seu relato, A Crítica Sociológica, e a tese de Georges F. Listopad, O Crítico Bedrich Vaclavek e a Escola Sociológica de Praga.

Literatura Dramática, por Paulo Hecker Filho, efetuando, com O Teatro Brasileiro, um apanhado de nossa evolução e atual situação nesse terreno e apresentando o relatório sobre a tese O Teatro Sério de Artur Azevedo, de Joel Pontes. Períodos e Gerações na História e Investigação Literária, por Carlos Burlamaqui Kopke, relatando o seu Conceito e Aplicação da Crítica Psicológica e comentando a tese de Oscar Lopes, Postulados de Uma Experiência de Ensaio Critico e Histórico e Arte e Realidade: Dimensões Antagônicas?, de Roberto Paula Leite. Poesia, por Décio Pignatari, com o seu Situação Atual da Poesia no Brasil e ainda relatando a tese de Cassiano Ricardo, 22 e a Poesia de Hoje, e a Interpretação do Poema Difícil, de Euríalo Cannabrava. Na última etapa ainda foram comentadas as seguintes teses e comunicações: Como Eça de Queiroz Elabora os Seus Personagens, de Hélcio Martins, por Adolfo Casais Monteiro; O Romance Nordestino de 1928 a 1961, de Virginius da Gama e Melo, por Hélcio Martins: Quincas Borba e a Crítica, de Astrojildo Pereira, por Wilton Cardoso; Ideologia e Realidade em Érico Veríssimo, de Armando Barcelar, por Braga Montenegro: Um Manuscrito de José Gide no Brasil, de Silviano Santiago, por Segismundo Spina; Sulla Critica Letteraria: Genesi-Dialettica-Prospettive, de Atílio Peduto, por Antonio Lázaro de Almeida Prado. Durante o Congresso foi também organizada uma mesa-redonda, com a participação de todos os professores de ensino universitário presentes, cujo objetivo era discutir o ensino de literatura. Podendo ocorrer sugestões, não só dos componentes, mas também do plenário,

Décio Pignatari levantou uma proposição do máximo interesse: a de se erguer uma escola de criação, na base da experiência de Ulm, porém não apenas restrita à informação e semântica visual. Tratar-se-ia de um projeto envolvendo a participação dos próprios alunos na criação de textos, não só literários, mas atinentes às especializações do mundo moderno: publicidade, rádio, telegrama, etc. De acordo com as solicitações do projeto, seria aliado um laboratório de fonética, a funcionar juntamente com a escola.

Partindo de uma indagação que bem denota uma contradição inquietante —

até quando continuarão os poetas a sair das Faculdades de Direito?

— DP expôs o problema também à viva voz durante o plenário.

Nesse mesmo dia, o professor Segismundo Spina fez o seu relatório sobre A Critica de Pontes, entre a primeira e a segunda parte da mesa-redonda. Em sua exposição a respeito da situação da poesia, Décio Pignatari, estabelecendo o Lance de Dados como o verdadeiro marco da poesia moderna, procurou demonstrar que os poetas mais participantes eram justamente mais preocupados com a com a própria natureza do seu ofício — os que fazem o poema sobre o poema.

1962

UCLA Library 2010

Alfa

A verdade, afirma o aparteahte, é que atualmente se está esboçando um movimento dos mais notáveis na Crítica e no estudo estrutural da obra literária, movimento começado no campo linguístico, com os poetas, e que se vai ampliando na medida em que se aproxima da estrutura real da obra literária. Nessa nova posição está presente todo o conjunto da experiência humana, não mais como elemento de valorização, mas como ingrediente que compõe a obra e que a Crítica estuda como elemento presente, como elemento integrante, estrutural da obra literária.

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