O Paço da Cidade do Rio

Gilberto Ferrez

1984

UT Libraries 2008

  • p. 5

A devolução à população carioca do seu mais antigo Palácio é completada com o lançamento deste livro.

Gilberto Ferrez reúne nesta obra o que há de mais importante no material documental existente sobre a evolução desse edifício, ao expor os principais desenhos que permitiram — e legitimaram — a restauração do Paço. A reconstituição desta história mostra que a cartografia dos princípios do século XVIII assinalava no local a existência de um edifício com as mesmas proporções do Paço, indicado como Casa da Moeda e Armazéns dei Rey.

Após a Independência, novas modificações são feitas no então Paço Imperial. Com a instauração do regime republicano o edifício perde suas funções administrativo-residenciais não sendo por pouco demolido. Instalada a sede do Departamento dos Correios e Telégrafos, sucessivas reformas de adaptação são realizadas,  culminando em 1929 na ampliação de uma roupagem neocolonial, ocultando a ornamentação de pedra do seu passado colonial sob camadas de massa.

Com este ato, o SPHAN reconhecia seu papel histórico, como também o valor de sua expressão arquitetônica, inscrevendo-o simultaneamente nos Livros do Tombo Histórico e das Belas-Artes. Nos anos setenta, com a construção de uma nova sede no Rio de Janeiro para a Empresa dos Correios e Telégrafos, o uso do prédio vai se limitar à ocupação de uns poucos compartimentos no pavimento térreo, sendo o restante deixado ao abandono.

  • p. 6

Diante desta situação, Aloisio Magalhães, como Presidente da Fundação Nacional próMemória, requer ao Serviço do Patrimônio da União providências para a ocupação do imóvel, a fim de evitar um “estado irreversível de deterioração”. Em março de 1982, quarenta e quatro anos depois do tombamento, é firmado por Aloisio o termo de imissão de posse e o Paço é entregue à próMemória.

Com a morte de Aloisio, assume a presidência Marcos Vilaça que, percebendo a complexidade do trabalho, continua o esforço de seu antecessor, elegendo o Paço como obra prioritária nas tarefas de conservação do patrimônio cultural brasileiro.

Não só como nossa autoridade maior em história iconográfica brasileira, mas também porque ele já vinha preparando há anos o trabalho de levantamento da iconografia do Rio de Janeiro, notadamente da praça XV de Novembro com seu palácio.

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