Discurso de Aloisio Magalhães

1980

UT Libraries 2008

Monumento

I Encontro de Inventários alerta para escolha de um modelo nacional

de 26 a 30 de agosto

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… são apenas um meio. E que os bens culturais não existem sem o homem. A produção cultural não pode ser dissociada das condições sociais em que é criada e consumida. Os inventários, como os levantamentos sócio-econômicos na planificação regional, devem presceder a toda a intervenção, identificando-se os elementos que serão preservados e valorizados. Se adotam cada vez mais metodologias de análise requintadas e complicadas, mas no momento da implantação dos planos muitas vezes se esquecem aquilo que deveria ser valorizado, o homem. Se realizássemos a catalogação e dermos atenção apenas aos aspectos formais dos bens culturais, com exclusão de sua dimensão social estaremos cometendo o mesmo erro daqueles que vêem no homem apenas a força de trabalho. Em outras palavras os inventários não podem ser estáticos nem rígidos enquanto o homem não renunciar a sua capacidade de criar.

Quero saudar e agradecer aos senhores participantes pelas contribuições que trazem a este Encontro e em especial aos organizadores que juntamente com a Secretaria de Indústria e Comércio do Governo do Estado da Bahia patrocina esta reunião: Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e Fundação Roberto Marinho. Muito obrigado.

Meu caro Governador, Secretário de Estado, meus amigos da Bahia e de outras unidades da Federação, a coisa de um mês passado ou pouco mais essa cena de hoje, idêntica a essa, ocorreu nesta mesma sala, sob este mesmo teto, nesta mesma Praça, com um público bastante semelhante ao de hoje, abrimos aqui com a presença do Governador uma outra reunião sob o patrimônio cultural.

A primeira delas, meu caro Governador,’ é que na ocasião eu disse que não era sem razão, que não era desarrazoado que a Bahia fosse o sítio escolhido para uma reunião sobre centros históricos. Hoje repito, que não é sem razão que a Bahia é escolhida como lugar para uma reflexão, talvez a primeira reflexão que se faz no Brasil, sobre o grave e complexo problema dos inventários de bem cultural, conhecimento do registro, a recuperação das informações sobre esse imenso universo de bens culturais espalhados pelo País afora. Até que pediria ao Governador, tão amigo, tão lealmente ligado ao problema da preservação do bem cultural que de certo modo me proteja junto aos seus colegas, Governadores dos outros Estados, pela, talvez, excessiva e frequente preferência com que a Bahia tem sido distinguida ao menos quanto a reflexão. A época não é boa, não é muito propícia para a Fundação Nacional próMemória e a Secretaria do Patrimônio venha a Bahia e a outros Estados trazendo recursos econômicos, trazendo o aporte necessário para um trabalho mais efetivo.

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… na medida em que o nosso processo global de desenvolvimento considere, inclua, esteja atento aos indicadores oriundos do patrimônio cultural que serão partes integrantes do processo de desenvolvimento da Nação. A Bahia é mais uma vez o ponto focal dos nossos exercícios de reflexão sobre este tema tão rico e tão importante no desenho projetivo da Nação brasileira. Muito obrigado.

Discurso de Antônio Carlos Magalhães:

Minhas senhoras, meus senhores permitam que ao iniciar as minhas palavras eu manifeste a minha saudade, que é de toda a Bahia, pelo passamento de um fraternal amigo, mas que foi um defensor permanente dos bens culturais da Bahia, também muito ligado ao Dr. Aloisio Magalhães, mais uma figura ímpar que, evidentemente, há 10 anos no leito, doente, não pode trabalhar e observar o quanto se fez através de seu exemplo na Bahia, das suas lutas em favor dos bens artísticos e culturais,  um homem de Pernambuco que se fez baiano, mas figura nacional, pelo seu amor a arte e a cultura, que foi o Dr. Odorico Tavares. Com essas palavras iniciais quero agora me dirigir aos quantos que aqui se encontram participando do I Encontro sobre Inventários de Proteção do Patrimônio Cultural que aqui se realiza, num local próprio, como bem salientou Aloisio, não só pelo que tem a zelar do seu passado, como também pelo esforço que o Estado vem dedicando e que sei que é do agrado de todos que estão aqui reunidos pela preservação dos bens culturais na Bahia. Em verdade, o primeiro trabalho de vulto que os senhores certamente conhecem mas os que conhecem devem conhecer, pode o meu primeiro Governo realizar graças a esta figura que aqui se encontra, o Dr. Paulo Ormindo, ‘que é realmente o inventario de parte importantíssima da cidade do Salvador mas que é um trabalho de fôlego que pode ser apresentado no Brasil e no exterior porque e, sem dúvida, talvez, no gênero, o melhor trabalho realizado no Brasil. Faço isso numa homenagem ao autor para que ele se sinta estimulado a continuar no seu caminho em defesa do patrimônio cultural e artístico da Bahia e ao  mesmo tempo possa ele obrigar aos governantes, eu e aos que me sucederem, a todos terem a sensibilidade indispensável para preservar a arte e a cultura no Brasil. O Dr. Aloisio Magalhães, secretário abnegado da SPHAN, o homem certo para o lugar certo, homem de cultura, homem de mérito, homem que está se dedicando inteiramente a esse trabalho, com seu talento e com o seu prestígio, ainda há pouco salientava, sem querer dizer claramente para não desestimulá-los que a hora é bem difícil para se obter recursos para a preservação dos bens culturais. Mas ele tem no Governador da Bahia, certamente, e nos Governadores de todo o Brasil, aliados, para que, apesar das dificuldades econômicas, possamos zelar, preservar esse nosso patrimônio, porque o que se perde em um, dois, quatro anos, dificilmente se pode recuperar, e o Brasil já perdeu bastante para continuar nesta política que se diz não ser investimento mais é de preservar o seu grande acervo cultural e artístico.

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Quero lhes dizer que os senhores estão num sítio em que estamos trabalhando no Pelourinho. Aqui mesmo nesta Faculdade de Medicina estamos cuidando de preservá-la e naquela ala vamos colocar um museu com 700 e tantas imagens, o Museu Abelardo Rodrigues; mais adiante, no Maciel, talvez menos de um quilômetro daqui estamos recuperando um solar que, pelo gênero, talvez não exista outro no Brasil, o Solar do Ferrão e esperamos que antes do fim do ano, se pudermos no dia 5 de novembro, Dia da Cultura, dia do aniversário de Rui e dia do aniversário de Aloisio Magalhães, inaugurá-lo.

PALESTRAS

No dia 27 falaram o Secretário da SPHAN, Aloisio Magalhães, sobre

“Instrumentos para a Preservação dos Bens Culturais”

e o Sr. Fausto Alvim sobro “De Inventários como Estrutura”.

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