A escola da moda

1974

Veja

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Indicações para empresas e um hotel, criadas pelo designer Aloisio Magalhães: entrada, não fume, use máscara e salão de reuniões.

Em novembro do ano passado, quando a Companhia do Metrô de São Paulo anunciou que os cartazes e placas de indicação ficariam por conta da experiente empresa americana Unimark International, um coro de noventa vozes, vindas do Rio, não buscou ocultar sua irritação. Rapidamente, foram desencavadas algumas velhas acusações ao que seria um novo sintoma da onipresença estrangeira em terras do Brasil. Era o protesto dos alunos das três escolas superiores cariocas que formam desenhistas industriais — ou “designers”, como preferem ser chamados os estudantes e profissionais, mesmo nacionalistas. Além do possível charme da expressão, entretanto, não parece existir no momento qualquer outro fator capaz de transformar os cursos de desenho industrial no novo eldorado dos hesitantes universitários da Guanabara. A profissão ainda não tem regulamentação, o mercado de trabalho é bastante estreito (conforme os próprios designers) e nada indica a iminência de radicais modificações nesse quadro. Ainda assim, oito vestibulandos disputaram cada uma das vagas oferecidas neste ano pelas três escolas cariocas, quebrando a longa hegemonia das faculdades de medicina, onde cinco candidatos concorreram a cada lugar. Quais as razões — Surpreso com a súbita valorização dos cursos, o designer Aloisio Magalhães — autor dos modelos das novas bombas de gasolina da Petrobrás e das cédulas do cruzeiro novo — confessa desconhecer as razões da corrida ao design.

“Juntando Rio e São Paulo”,

diz ele,

“não chegaremos nem a dez escritórios de designers!

E indaga:

“Como arranjar trabalho para esse pessoal todo que está ingressando agora nas escolas?”.

Com nítidas preocupações didáticas, Aloisio Magalhães esclarece que a profissão pode ser dividida em desenho industrial (móveis, eletrodomésticos, automóveis) e comunicação visual (símbolos, logotipos). Mas. conclui,

“não há bons empregos em nenhum deles”.

Para alguns professores, todavia, existem justificativas para tamanho interesse como o aumento das exportações. Mas a maioria dos alunos aprovados nos vestibulares deste ano talvez prefira partilhar a explicação de uma candidata frustrada. “Todo mundo só fala nesse curso. No ano que vem tento outra vez.”

Fome endêmica

Apesar de seus frequentes tropeços, o sistema de ensino entronizado nas escolas brasileiras do graus não parece ser tão desastroso a ponto de justificar o altíssimo índice de 42% de reprovação, detectado nos últimos anos nos …

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