ALOISIO MAGALHÃES

José Rafael de Menezes

1993

UT Libraries and UVª Library 2008

A geração de 45 em perfis

  • p. 58

Precoce e profético, Aloisio Magalhães pertence a Geração de 45, quando na data referencial era um púbere, e dela transborda como um profissional do ano dois mil. O Bacharel de 1954 especializa-se em designer, por aplicações técnicas de um artista. Há nele, a versão europeia de um esteta tropical, com suas raízes regionais e sua imensa erudição de seletiva acuidade. Bem nascido, bem nutrido, a dispor da Biblioteca e da exemplar intelectualidade do médico cientista Ageu Magalhães, contaria por igual e em tempo mais largo, com a vigília carinhosa de Dª Henriqueta, a genitora de dons musicais, da primeira turma das alunas das Damas da Instrução Cristã, que abriram aulas de finesse em Pernambuco, no começo do século. Em poucas matriarcas pernambucanas havia um senso estético e um élan vital tão parisiense, como nessa Dama da Belle Époque. O que significou para Nabuco, a cena do escravo em Massangana, e toda a vida do Engenho com o seu bucolismo, Aloisio se define em função de Triunfo, a cidade serrana do interior pernambucano, no sertão épico dos seus avós que o encantou desde menino. “E Triunfo?” Teria indagado numa reunião de tecnocratas em São Paulo, imerso distraidamente no seu ethos nordestino. E Triunfo? será do título do livro que reuniu artigos, entrevistas, discursos, pareceres do artista – e designer – desaparecido aos 50 anos, na plenitude dos seu encargos na poética Florença, em meio às criações de Miguel Ângelo.

  • p. 59

Antônio Houaiss viu em Aloisio Magalhães “um ímpeto cívico”. Eis o épico geracional de 45, que no esteta internacionalizado conduz com sua alegria e sua competência, efusivamete pernambucano e recifense. Do Recife que Albert Camus comparou a Florença.

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