Artesanato e Desenho Industrial: Um Processo Contínuo

1985

Revista indústria & produtividade

A criação de uma imagem própria de produto brasileiro, uma das metas prioritárias do NDI, serve à valorização dos manufaturados exportáveis e inclui aspectos como o controle de qualidade e  a embalagem. Tal projeto apóia-se na necessidade de libertação de padrões estrangeiros, sem representar, no entanto, uma resistência irracional, de contornos xenófobos. Deseja-se, isto sim, somente reconhecer e estimular a criatividade brasileira. Outra preocupação do Núcleo de Desenho Industrial relaciona-se à formação de um mercado de trabalho digno para os profissionais de DI, com oferta suficiente de oportunidades e salários compatíveis. Assim, o NDI procura divulgar os os serviços de técnicos e especialistas no ramo entre os industriais, que estão habituados a muitas vezes recorrer ao exterior para atender a essas questões. As atividades principais do NDI podem ser divididas em dois grandes grupos: as didáticas e as promocionais.

O Núcleo mantém, ainda, em caráter permanente, uma coleção de objetos selecionados pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, em exclusividade mundial. O trabalho de lobby junto às indústrias para favorecimento de desenhistas industriais brasileiros é bastante facilitado pela existência de um cadastro, permanentemente atualizado, de profissionais, entidades e escolas de DI.

CINCO ANOS DE SUCESSOS

São inúmeras as promoções do NDI ao longo desse período de mais de cinco anos, sempre com repercussão positiva. Em 1981, por exemplo, na própria sede da FIESP/CIESP acontecia a exposição Artesanato e Desenho Industrial: Um Processo Contínuo. Nesta manifestação, o artesanato era tomado como uma prática industrial primitiva que, possivelmente, carregava de forma latente, as linhas básicas do que seria um desenho industrial distintamente brasileiro.

Como declarava à época o notável designer Aloisio Magalhães:

É possível, até, caracterizar-se essa alta inventividade como uma atitude que se poderia chamar de pré-design: o homem brasileiro estaria intuitivamente mais próximo de conceitos de design do que propriamente artesanais, no sentido clássico.

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