Aloisio Magalhães, Artista e Administrador Apaixonado

Fernando de Mello Freire

Brasileiridade – ISBN 9788570192349

Freyre, Fernando de Mello, 1943.

Brasileiridade, Recife, Massangana, 1992.

fonte: UT Libraries 2008.

  • p. 127

A cultura brasileira muito deve a Aloisio Magalhães: ao artista plástico e ao administrador cultural. De maneira plena, Aloisio sabia que nenhum país pode ser grande sem valorizar as suas expressões culturais, as raízes e as fontes de sabedoria do seu povo. Talvez não tenha sido outra a razão pela qual, sendo um notável artista pelo poder criador, tenha sido um inexcedível incentivador das manifestações culturais brasileiras. Incentivou com a sua grande sensibilidade de artista, com o seu amor à cultura brasileira, um patrimônio que não pode ser medido por cifras ou por estatísticas. Mais do que ninguém, ele sabia que os bens culturais de uma nação são o caráter, o espírito do seu povo. Por isso devem ser livres, incentivados e respeitados, como ele, Aloisio, os respeitou e incentivou com o seu devotamento, a sua coragem, a sua sensibilidade, a sua ação sempre inteligente. Inteiro e completo como administrador, Aloisio Magalhães foi também completo e inteiro como artista: pintor, desenhista, “designer”. Artista que tem presença garantida na história das artes deste país. Ele era um criador autêntico, um talento que se realizou admiravelmente no seu inconfundível modo de criar e representar a sua verdade, sonhos, realidade. Aquela verdade, aquele sonho e aquela realidade que para o verdadeiro artista, quando cria, nascem associados à realidade do seu tempo, de sua terra, da matéria de todos os homens. Daí por que tocar na obra de Aloisio Magalhães, percorrer as suas criações, folhear as suas lembranças, é conviver um pouco com a intuição da eternidade. E, sobretudo, é conviver com uma vida que, para além do seu encantamento, é uma parte viva, luminosamente viva, da cultura brasileira, com nuances solares e distintamente nordestinas, naquilo que na cultura brasileira, em suas diferentes vertentes, vai além da duração do tempo e é verdade e permanência. Aloisio Magalhães era feito de luz e transparência. Talvez dessa luz e dessa transparência que em Olinda, …