Bens Culturais: Instrumento para um Desenvolvimento Harmonioso

1979

Acreditamos que as políticas econômica e tecnológica do país necessitam reinserir os bens culturais nacionais para concretizarmos um desenvolvimento autônomo.

Ocorre, entretanto, que o conceito de bem cultural no Brasil continua restrito aos bens móveis e imóveis, contendo ou não valor criativo próprio, impregnados de valor histórico (essencialmente voltados para o passado), ou aos bens da criação individual espontânea, obras que constituem o nosso acervo artístico (música, literatura, cinema, artes plásticas, arquitetura, teatro), quase sempre de apreciação elitista.

Permeando essas duas categorias, existe vasta gama de bens – procedentes sobretudo do fazer popular – que por estarem inseridos na dinâmica viva do cotidiano não são considerados como bens culturais nem utilizados na formulação das políticas econômica e tecnológica. No entanto, é a partir deles que se afere o potencial, se reconhece a vocação e se descobrem os valores mais autênticos de uma nacionalidade.

Aqui cabe reflexão de natureza mais abrangente. Nas sociedades que refletiram maior equilíbrio dentro dos parâmetros válidos do seu tempo, os valores mais expressivos da síntese criadora estavam inseridos e integrados na realidade cotidiana a que serviam e que representava sua própria razão de ser. Os afrescos de Giotto na Basílica de São Francisco, em Assis, não foram pintados apenas como obras de arte, mas como representação necessária a uma função político-social essencial numa comunidade onde a igreja era centro natural de convergência.

Revista do Patrimônio

1984