Quando Literatos e Artistas, se Tornam Gráficos

São Paulo 21/2/1958

Visão

E para lá se encaminham, ao fim do dia, foragidos também das obrigações mais burguesas, outros moços, representantes de uma das mais vibrantes correntes do atual movimento literário e artístico em Pernambuco: Gastão de Holanda, Ariano Suassuna, José Laurênio de Melo, José de Morais Pinho, Orlando da Costa Ferreira e outros — gente que faz poesia, romance, teatro, artes plásticas. E sua relutância fez despontar na cabeça de Gastão de Holanda, Aloisio Magalhães e Orlando da Costa Ferreira — um romancista, um pintor e outro romancista dedicado ao estudo da arte do livro — a ideia de editarem eles próprios os poemas de Laurênio.

Quatro integrantes desse grupo estão se dedicando a um campo artístico quase esquecido: editam livros que eles próprios compõem e imprimem a mão, com a preocupação de realizarem obra de arte, da página de rosto ao colofão.

Em 1954, o poeta José Laurênio de Melo não quis fazer publicar seu livro As Conversações Noturnas.

Não queriam fazer um livro apenas. A ideia era mais ampla, e para isso eles foram estudar arte gráfica, movimentaram-se no exame de edições para bibliófilos, perscrutaram previamente as caixas de tipos. Queriam realizar a arte do livro. Lutando contra a pobreza de recursos, conseguiram, ainda assim, o objetivo: o lay-out de cada página, a ilustração e a composição rigorosamente obedientes à criação artística supriram as deficiências técnicas.

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