Atelier Coletivo da SAMR

1952-57

Aloisio Magalhães participa do Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife ao lado de Gilvan Samico.

Lyra, Paulo.

Brasil, art of the Northeast, Spala, 1986.

fonte: UT Libraries 2008

  • p. 98

As Novas Gerações de Pintores

The New Generation of Painters

Não seria possível enumerar todos os artistas que surgiram a partir de 1930. Destacaremos alguns fatos que marcaram e influenciaram novas gerações de pintores. O Salão dos Independentes, em 1933, com a participação de Elezier Xavier, Baltazar da Câmara, Murilo La Greca, Mario Nunes, Fedora do Rego Monteiro, Alvaro Amorim, Francisco Lauria, Luiz Soares, Hélio Feijó, Nestor Silva, Bibiano Silva, este escultor. A fundação da Escola de Belas Artes. A exposição dos pintores no Congresso Afro-Brasileiro, em 1934, promovido por Gilberto Freyre, Ulisses Pernambucano e Cícero Dias. A exposição de Cícero Dias, em 1948, na Faculdade de Direito, que causou terrível polêmica. O Atelier Coletivo, inspirado por Abelardo da Hora, dos melhores escultores de Pernambuco, que reuniu em 1954, na sua primeira exposição, Ionaldo Andrade, José Cláudio, Maria de Jesus e Corbiniano Lins, ambos escultores, Ladjane Bandeira, Wellington Virgulino, Wilton de Souza.

Ao Atelier, incorporaram-se posteriormente Guita Charifker, Celina Lima Verde, Adão Pinheiro, Anchises Azevedo, Bernardo Dimenstein, Gilvan Samico. O Gráfico Amador, criado em 1954 por Aloisio Magalhães, Orlando Ferreira, Gastão de Holanda e José Laurênio, que segundo depoimento de Joaquim Cardoso no livro de Souza Barros já citado “produziu, talvez, na época, as mais belas páginas da arte de impressão no Brasil”. No mesmo local, Aloisio Magalhães (posteriormente transferiu-se para o Rio de Janeiro tornando-se um dos grandes designers do país) mantinha seu atelier de pintura, frequentado por Reynaldo Fonseca, Montez Magno e Adão Pinheiro. O Movimento da Ribeira, em Olinda, criado na administração do Prefeito Eufrasio Barbosa, o grande orquestrador da vida artística que a cidade iria ter daí por diante. Surgido em 64, teve Adão Pinheiro como condutor, seguido depois por Vicente Monteiro, responsáveis pelo aparecimento de artistas como José Tavares, João Câmara, Ypiranga Filho, José Barbosa, Roberto.

It would be impossible to list every artist from the 1930s on. We will just point out some facts that both marked and influenced the new generations of painters. The Independents’ Exhibit in 1930 was one, with Elezier Xavier, Baltazar da Câmara, Murilo La Greca, Mario Nunes, Fedora do Rego Monteiro, Alvaro Amorim, Francisco Lauria, Luiz Soares, Hélio Feijó, Nestor Silva, Bibiano Silva (a sculptor). The opening of the School of Fine Arts. The painters’ exhibit at the 1934 Afro-Brazilian Congress, …

The Atelier Coletivo (Group Studio) inspired by Abelardo da Hora, one of the best sculptors in Pernambuco. Their first exhibit in 1954 showed Ionaldo Andrade, José Cláudio, Maria de Jesus and Corbiniano Lins, both sculptors, Ladjane Bandeira, Wellington Virgulino, Wilton de Souza. The Atelier was later joined by Guita Charifker, Celina Lima Verde, Adão Pinheiro, Anchises Azevedo, Bernardo Dimenstein, and Gilvan Samico. The Gráfico Amador (Amateur Printer) created in 1954 by Aloisio Magalhães, Orlando Ferreira, Gastão de Holanda and José Laurênio. In the book by Souza Barros mentioned previously, Joaquim Cardoso says the shop “produced perhaps the most beautiful printed art works in Brazil at the time.” At the same place, Aloisio Magalhães, (who later moved to Rio de Janeiro and became one of the countrys greatest designers) also had his painting studio visited often by Reynaldo Fonseca, Montez Magno and Adão Pinheiro. The Ribeira …

Cultura, Vozes, vol. 90, 1996.

fonte: M Library 2010

  • p. 127

Mas ele teve um momento de grandeza, posso dizer, porque me vendo tão em cima daquela coisa, e como conhecia Hélio Feijó, misto de artista e arquiteto conhecido na época, me levou até ele. Fui com todo o meu material. Hélio Feijó olhou rapidamente a papelada e disse: “você tem jeito, mas seria bom você parar de copiar capa de revista e trabalhar com modelos da natureza; desenhar o que você vê, bichos, árvores”. Ele dizia que os modelos de revistas e as estampas de santos já estavam prontos e que eu devia brigar com os modelos da natureza. Saí nesse dia do meu mundo para o mundo dos outros.

– Mas que mundo dos outros era esse, exatamente?

– Nessa época, em 1948, Hélio Feijó havia fundado a Sociedade de Arte Moderna do Recife.

Não era propriamente um lugar de trabalho, mas um lugar de encontros. Reunia uma gama enorme de pessoas que trabalhavam em várias áreas – fotógrafos, jornalistas, poetas, pintores. Eles se encontravam para tomar vinho, conversar. Esse era o mundo dos outros. Fazia parte dessa sociedade Abelardo da Hora, que já era escultor, formado pela Escola de Belas Artes, um profissional. Em 1952, ele teve a ideia de criar o Atelier Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife. O atelier era …

Aloisio Magalhães, que eu conhecia …

Clarissa Diniz.

Crachá: aspectos da legitimação artística: (Recife – Olinda, 1970-2000), Recife, Massangana, 2008.

  • p. 21

… como também, e sobretudo, gerou condutas de autolegitimação como a de abril de 1976, quando o referido artista doou todo seu acervo (então composto por mais de 200 pinturas) à Universidade Federal de Pernambuco, pedindo, em troca, a fundação de um museu universitário que tivesse “o objetivo de perpetuação de seu trabalho”.

Essas estratégias (auto)legitimadoras culminaram, por fim, na fundação em 1985, do Museu Murillo La Greca- idealizado e inicialmente organizado pelo próprio artista e, posteriormente, incorporado pela Prefeitura da Cidade do Recife -, contradizendo portanto, o discurso que apregoava que “o êxito não estava em seus planos”, discurso esse que adubava a ideia de que era Murillo um artista “ingênuo”, “puro”, “verdadeiro” e, consequentemente, a quem se deveria ajudar.

Como exemplo, a fala do artista e poeta Montez Magno: “(…) Passei só três meses lá [na Escola de Belas Artes].

… e eu tava lá, pintando, quando eu tive dificuldade de fazer uma determinada coisa lá, aí chamei ele [Mário Nunes, o professor]: “Professor, eu não sei fazer isso, como é que se pinta isso aqui?” Aí ele olhou pra mim e disse: “olhe, pintura se aprende pintando”. Eu: “tá certo…”. E aí nunca mais fui. lsso não é resposta que se dê! (…) Aí eu larguei e passei a estudar por mim mesmo. (…) Em 57 mesmo, mais ou menos no fim do ano, Aloisio Magalhães viu os meus trabalhos, e ficou encantado com eles. Porque eu fazia já abstração! Em 1956 eu já fazia abstração geométrica aqui, e ninguém fazia! (…) E ele disse:

“você não quer fazer uma exposição não?”.

(…) E um dia apareceu lá [na exposição no lnstituto de Arquitetos do Brasil – seção Pernambuco] Mario Nunes, que foi meu professor. Ele olhou, olhou, não me reconheceu – e eu já tinha feito coisas que ele jamais faria e nunca fez, né?, já empregava, por exemplo, areia com tinta a óleo. E ele olhou e disse: “você estudou na Europa, né?”. (…) Quando eu fazia esculturas em gesso, eu achava que eu era escultor. Ai eu procurei Abelardo da Hora – mais ou menos nessa época, 54, 55.

Procurei pra estudar lá [Atelier Coletivo], né? Mas ele disse que não, que já tinha muita gente.

E eu até hoje agradeço, que eu não queria seguir os ensinamentos dele não, que são muito radicais. (…) E graças a Deus, então, eu não enveredei por esse caminho equivocado. Foi o  que me salvou. E …

  • p. 58

Como uma forma de capital nascido das relações sociais, o capital social necessita, para surgir no sistema de arte, da convivência frequente entre suas partes, sejam elas artistas, críticos, galeristas…

Tal convivência tem se tornado cada vez  com o passar dos anos. Contudo, até a segunda parte da década de 50, ela era muito mais esparsa, e acontecia majoritariamente através da Escola de Belas-Artes ou do Salão do Estado (um pouco mais tarde, também através do DDC – Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife): “(…) A notícia de que Hélio Feijó pretendia fundar uma sociedade de artistas [Sociedade de Arte Moderna do Recife, 1948] alegrou-me e encheu de esperanças de que enfim teríamos, nós artistas [“modernos”], uma possibilidade de nos encontrarmos regularmente: a única chance no momento era, uma vez por ano, na inauguração do Salão do Museu do Estado onde acadêmicos e modernos lutavam ferozmente pelos prêmios.

Uma dessas primeiras iniciativas em relação às artes plásticas foi o Atelier Coletivo, fundado em 1952, em torno do artista Abelardo da Hora, como narra Wilton de Souza, membro do grupo: “(…) A gente não sabe quem foi o pai da criança, da ideia de se criar um ateliê onde todos participassem. Então começamos a fazer as contas, tinha que pagar aluguel, (…) os impostos, luz, água, tem que pagar tudo, aí fizemos uma cota, e dava para o pessoal pagar. (…) O nosso profissionalismo nasceu exatamente com a criação do Ateliê Coletivo (…). Aí foi que apareceram outras pessoas. Apareceu Zé Cláudio, lvan Carneiro (…).

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