Obra de Aloisio Magalhães

2003

Petrobras 50 Anos

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Logomarca com as duas letras, criada para a subsidiária de distribuição de derivados, foi adotada por toda a Petrobras.

Entre os ícones no dia-a-dia do país, destaca-se o BR, muito antes da era da internet, já denotando de pronto a identificação de Brasil, com os dois traços horizontais, em branco e amarelo, acima das duas letras vazadas em branco sobre uma faixa verde mais larga, mostrando, num quadrado, a precisão de um símbolo, o reconhecimento  imediato em postos de gasolina em todas as cidades e estradas. O logotipo, criado especificamente para a BR Distribuidora, em 1972, pelo designer Aloisio Magalhães, fez tanto sucesso que passaria, anos depois, a simbolizar toda a Petrobras, e não apenas a subsidiária. No início dos anos 70, a Petrobras decidiu lançar um logotipo forte para a sua presença nas ruas. Um logotipo hexagonal, inspirado na molécula de hidrocarboneto, substituiu o antigo losango amarelo. A estratégia de marketing levou a companhia a requisitar uma marca exclusiva para a subsidiária.  Desde 1958, a Petrobras só utilizava a marca institucional, losango com a palavra Petrobras (ainda com acento) inserida no seu interior.

Ao mesmo tempo, a companhia cresceu, criou subsidiárias, e logomarca ficou inadequada para a fisionomia complexa e diversificada da holding. Isso causou uma tendência à fragmentação de sua imagem, pela implantação de marcas e símbolos individuais e pela falta de unidade visual entre a Petrobras e as subsidiárias. Em 1972, foi aprovada a nova marca da Petrobras. O nome por extenso foi retirado do interior do losango, ficando sob o símbolo gráfico. Este por sua vez virou um hexágono-losango. Todas as empresas do Sistema Petrobras passaram a utilizar a nova identificação, alcançando-se a pretendida integração visual. O Manual de Identidade Visual da Petrobras descreve assim o desenvolvimento do projeto:

“Desvincula-se o logotipo da marca, considerada a premissa de que o mesmo se encontrava por ela enclausurado. Busca-se um tipo de letra representativo. A Helvética, de desenho científico e boa qualidade ótica, é escolhida”.

E prossegue:

“Analisa-se o losango, desmontando-o em seus elementos básicos. Obtém-se uma espécie de V de ângulo variável, empregado desde a antiguidade grega e egípcia como símbolo de propriedade e hierarquia, agora adotado universalmente. Atualiza-se o V aumentando-lhe a espessura. Montam-se dois Ves, obtendo-se uma forma simples, clara e forte, de nítidos contrastes”.

Nascia o hexágono-losango, presente durante 22 anos em tanques, navios, veículos, uniformes, publicações, correspondência – ou seja, em todos os elementos associados ao dia-a-dia da Petrobras e de suas subsidiárias. Mas, em 1994, o hexágono-losango foi substituído pelo BR.

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O símbolo BR sintetizava valores positivos, reforçando características históricas ligadas ao nome da Petrobras.

Com o BR ganhando a afeição do público, o hexágono-losango perdeu força e deixou de ser estampado nos postos ao lado das duas consoantes. Esta decisão de separar foi gerando um problema, já que o público começou a dissociar a imagem da BR da imagem da holding. O uso de símbolos diferentes enfraquece o conceito de empresa integrada, objetivo da Petrobras. Com um símbolo distinto, a Distribuidora era percebida apenas como uma subsidiária e não como parte essencial do sistema Petrobras.

A compatibilização das marcas, em 1994, sanou a distorção, ao mesmo tempo em que atendeu aos objetivos do planejamento estratégico da empresa. A identidade visual fortaleceu a imagem do Sistema Petrobras, preservando a condição de empresa integrada e com uma crescente atuação internacional. Em 2000, uma tentativa frustrada foi feita para mudar o nome Petrobras, sob alegação de que o BR era confundido, nos EUA, com a marca da britânica BP e que a letra X, no lugar do S, era melhor pronunciada no exterior e mais atrelada à ideia de desenvolvimento tecnológico. A mudança para Petrobrax, entretanto, durou apenas 48 horas, com o clamor popular exigindo a preservação do velho nome. Ainda a propósito do símbolo BR, a Distribuidora patrocinou o livro A Herança do Olhar – O design de Aloisio Magalhães, que acaba de ser lançado. São 280 páginas sobre a vida e a obra do artista pernambucano, uma espécie de patrono do design do Brasil e precursor da política cultural de alta qualidade no processo de abertura do regime militar. Talvez não seja exagero especular que, não fora a sua morte repentina, em 1982, Aloisio Magalhães provavelmente poderia ter sido um importante ministro da Cultura. O livro, ricamente ilustrado, traz depoimentos de 16 intelectuais renomados, de Ariano Suassuna a Antonio Houaiss, e retraça todos os aspectos envolvendo a trajetória desse inventor. Aloisio Magalhães venceu muitos concursos de grandes empresas e ganhou justa fama como um dos pioneiros no moderno gerenciamento da memória brasileira.