design pictórico

Vanessa Johnson

2011 

A ação projetual de Aloisio Magalhães difere-se por possuir o conteúdo gestual fortemente presente, pela síntese das formas e pelos campos de cor (azul anil). Dialoga com Anton Stankowski (1906-98), não só pelas características citadas, mas também pelo autodidatismo, por encontrar soluções visuais simples, pelo tratamento hachurado, por inventar texturas e ter em sua carteira de clientes instituições bancárias. O traço de ambos é prenhe de movimento, herança da experimentação plástica, em Aloisio caracteriza-se pelo espelhamento, inclusive, por inversão, que tanto pode estar no projeto de uma capa, como num símbolo e em Stankowski pela obliquidade. A  arte mural ocorre em Aloisio precocemente quando realiza na residência de Torquato Castro, no Recife, painéis cerâmicos e em Stankowski no wall design das termas de Leuze (1961). Existe uma semelhança aritmética entre as criações de Aloisio e Stankowski, quanto ao símbolo do IV Centenário (1964) e a obra Floor Numbers (1973). A imagem da introdução do Doorway to Brasilia (1959) e o trabalho Functional Graphics de Stankowski. A capa elaborada por Aloisio para o livro A Nova Liberdade (1965) e a obra Rotation estão na mesma linha.

A forma recorrente ‘+’  integra desde a primeira identidade visual, elaborada para o Gráfico Amador, desde a primeira capa de livro comercial, Terceira Feira e perpetua-se em várias construções gráficas, como um resquício da grade. Se vista como uma soma está infiltrada no discurso de Aloisio “Design é compatibilidade entre intuição e metodologia”.

A paleta de cores adotada se parece com fases artísticas, se estava usando o laranja, esta cor impregnava-se na capa de um livro como O Outro Desenvolvimento (1973) ou no uniforme para garis da Comlurb (1975), este tom é oriundo do Gráfico Amador, está pincelado na capa da obra Aniki Bóbó (1958) ou em degradê nas obras completas de Eça (1961). A marca da UnB (1963) e a capa de Indicações para o Projeto Brasileiro (1971). O verde e amarelo das capas de Prática da Emancipação Nacional (1964) e da Coleção Erótica (1969) e a identidade visual da Petrobras (1970), além de conterem o zeitgeist, parecem feitos da mesma massa.

Aloisio subdividia as identidades visuais em logotipos, marcas pictográficas e sinais designativos.

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