O Caso Aloisio Magalhães

Ethel Leon

2010

Agitprop – Revista Brasileira de Design

Ano: III Número: 26, ISSN: 1983-005X

O caso mais conhecido e estudado no meio dos designers é o das cédulas projetadas por Aloisio Magalhães nos tempos da ditadura militar. Magalhães modernizou o dinheiro, ao acabar com o tradicional frontão central que celebrava um personagem da história do país.

Em continuidade à sua pesquisa dos assim chamados cartemas, desenhou cédulas como cartas de baralho, com metades iguais, pensando na natureza primordial do dinheiro – a de meio de troca, a materialização de uma relação. Desse modo, pensou em facilitar a vida dos caixas de bancos, que sempre vemos ‘arrumando’ as cédulas nas posições corretas.

Magalhães também traçou nova caracterização visual. Saíram os personagens chapa branca e entrou a construção de uma imagem de povo formado por diferentes etnias. Houve quem visse nisso atitude quase subversiva: dar vez às ‘raças’ que construíram o Brasil. No entanto, esta era a mentalidade de muitos documentos oficiais dos governos militares. Havia que manter a idéia de nação baseada nessa união das ‘raças’.

Como diz o sociólogo Renato Ortiz, “os parâmetros raça e meio fundamental o solo epistemológico dos intelectuais brasileiros de fins de século XIX e início do século XX”. Em plena ditadura militar, ainda segundo Ortiz, o Conselho Federal de Cultura manteve esta tradição do ‘sincretismo racial’, de uma pretensa brasilidade genuína em que as diferentes ‘raças’, branca, negra e índia teriam construído, em irmandade, o Brasil.

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