Fisionomia e Espírito do Mamulengo: o teatro popular do nordeste

Hermilo Borba Fº

1966

UT Libraries 2008

  • p. 84

Diretamente influenciado por Cheiroso, o Teatro do Estudante de Pernambuco fundou um Departamento de Bonecos, a cargo do pintor Aloisio Magalhães, que construiu o palco e os cenários para a representação de uma farsa de Lorca: Amor de Dom Perlimplin com Belisa em seu jardim. Os bonecos eram de Cheiroso. Posteriormente, quando foi lançada a Barraca, no Parque 13 de Maio, o primeiro espetáculo constou de uma peça de Ariano Suassuna, Cantam as harpas de Sião e uma pecinha de mamulengo de José de Moraes Pinho, intitulada Haja pau, e que vai publicada neste estudo, como forma de mamulengo erudito.

Com este, a linhagem se perde na noite dos tempos: ninguém sabe quem foi seu mestre. “Quando começou aquela récita especial que o Cheiroso fez no seu quintal para o nosso grupo de marionetistas, já escurecia. Quando acabou — porque lhe disseram que estava ficando tarde — era noite fechada. Custou fazê-lo parar: sua imaginação estava desenfreada. As histórias que inventa são sempre de brigas, como em quase todos os teatros do gênero, pelo mundo afora, quer seus heróis se chamem Punch and Judy coirp na Inglaterra, Guignol, Cnafron e Madelon, como na França, ou Karagheuz como na Turquia ou Casparek como na Tcheco-Eslováquia.

Desde há pouco fundou-se também um teatro de fantoches ‘literário’, dentro da ‘Barraca’ do Teatro do Estudante, sob a direção de Hermilo Borba Filho. Representa com bonecos feitos pelo Cheiroso e, no fundo de cenários muitos bonitos do pintor Aloisio Magalhães, uma peça baseada numa lenda folclórica paraibana, de José de Moraes Filho, com música de Capiba”.