Pouco tempo depois do golpe militar de 1964, foi lançado o cruzeiro novo

Nossa H 63, Vol. 2, 2005.

fonte: UT Libraries 2008

  • p. 247

Vigente de 1967 a 1970, não redundou na introdução de novas cédulas, pois o novo valor se apresentava com um carimbo sobre o “antigo” cruzeiro. Em 1966 realizou-se um concurso público para escolher um novo modelo de cédulas. O projeto vencedor coube ao designer e artista gráfico Aloisio Magalhães, que desde 1960 mantinha um dos maiores escritórios de artes visuais do país, e que na década seguinte imprimiria um caráter renovador à frente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Um projeto gráfico com uma comunicação visual mais direta eliminava os adornos, além do aumento do tamanho das cédulas segundo o valor nominal. Ampliava-se ainda o elenco de símbolos da nação, incluindo obras de arte com autoria e data e edificações, numa estratégia de valorização do patrimônio brasileiro. Esse foi o caso da cédula de cem cruzeiros com a efígie de Floriano Peixoto, cujo reverso estampava a imagem do edifício do Congresso Nacional, em Brasília. A inovação se aprofundou com a nova família de cédulas lançadas a partir de 1978, pois as imagens possibilitavam a sua leitura em qualquer sentido, semelhantes às cartas de um baralho. Nem todas as notas do cruzeiro foram projetadas por Aloisio Magalhães. Incluiu-se nesse caso a cédula comemorativa do sesquicentenário da Independência do Brasil (1972), na qual era apresentada a evolução étnica do povo brasileiro, destacando o seu caráter mestiço. Com um reverso no qual a evolução do território nacional era mostrada por uma sequência de cartas geográficas, da época da chegada dos portugueses ao momento vigente, imbuído pelo ideal de integração nacional, determinado pelo regime militar e expresso pela política de telecomunicações, a nota expressava uma síntese da nacionalidade via integração entre homem e território.

Foram assim cidadãos republicanos que, ao lado de tipos regionais, estamparam nossas cédulas nos primeiros oito anos de retomada democrática (1985-1993). Nesse momento, uma espécie de união entre cultura erudita e cultura popular expressava-se no nosso dinheiro.

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