O homem forte da cultura convence artistas

1981

UT Libraries 2008

Veja – nº 656

  • p. 20

Primeiro round

Após quatro horas de combate com duas dezenas de irados empresários e líderes de sindicatos de atores de todo o país, sexta-feira, no Rio de Janeiro, o novo homem forte da cultura oficial, Aloisio Magalhães, 53 anos, parece ter se saído bem no primeiro teste. Há duas semanas, desde que o diretor executivo da Fundação Nacional de Arte, Roberto Parreiras, deixou subitamente o cargo para dirigir o Sistema Nacional de Televisão Educativa, ele era acusado de tentar destruir a Funarte e se opor à criação de uma Fundação de Artes Cênicas, velho sonho da classe teatral. Ao final do encontro, como queria o secretário de Assuntos Culturais do MEC, ficou estabelecido que será criado apenas um instituto para teatro, subordinado à atual Funarte.

“Mostrei que mais uma fundação isolada, mais uma estrutura pesada, não resolveria o problema”,

argumentou Aloisio, que herdou do tio, o ex-governador pernambucano Agamenon Magalhães, o gosto pela negociação política. Trazido a Brasília, em 1974, pelo então ministro da Indústria e do Comércio, Severo Gomes, sobreviveu à sua queda, assumindo o Patrimônio Histórico, no Ministério da Educação, na gestão Eduardo Portella. Há anos adquiriu o hábito de frequentar religiosamente seu padrinho, o general Golbery, na Casa Civil, e arrancar verbas; Parreiras sai suspeitadas com Delfim Netto, no Planejamento.

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