A Fiat na defesa do barroco

Manchete

1981

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Ouro Preto é uma das belas realizações da arquitetura barroca e sua preservação é do interesse da cultura mundial. Suas igrejas, como a do Rosário, seu comércio e suas sacadas retratam uma época única no Brasil. O dia 21 de abril, as tradicionais homenagens a Tiradentes e aos inconfidentes vão abrir espaço, em Ouro Preto, para uma solenidade toda especial: o intelectual senegalês Amadeu M’Bow, diretor-geral da UNESCO, entregará oficialmente à cidade a placa referente ao título de Monumento Mundial que lhe foi outorgado pelo organismo cultural da ONU, em setembro do ano passado. Ouro Preto celebra também, este ano, o 270º aniversário de criação da antiga Vila Rica, reunindo os arraiais mineradores de Antônio Dias e de Ouro Preto, além do cinquentenário do decreto municipal de 1931, pioneiro na legislação conservacionista brasileira, pelo qual o então Prefeito João Veloso proibiu a modificação das características coloniais da cidade. Dois anos depois, ela seria elevada a Monumento Nacional pelo Presidente Vargas e, em 1937, integralmente tombada pelo Patrimônio Histórico. A permanência de Ouro Preto é um milagre da cultura brasileira, diz o Prefeito Alberto Caram, ressaltando o esforço que se faz, hoje, em todas as direções, para preservá-la. O secretário de Turismo e Cultura, Angelo Oswaldo Araújo Santos, afirma, por sua vez, que o título da UNESCO veio avalizar o processo de defesa e valorização de Ouro Preto, canalizando a atenção e o interesse que a velha cidade requer. Quem conhece a trajetória de Ouro Preto, de arraial minerador a cidade mundial, não pode deixar de acreditar no futuro do Brasil, assinala o professor Afonso Arinos de Melo Franco. A cidade retrata um momento importante da construção do Brasil e é nela que deita raiz a evolução de toda a cultura nacional, tendo na arte do Aleijadinho a fonte de nossa identidade criativa e na postura de Tiradentes a inspiração da própria nacionalidade, a jóia barroca agora é monumento mundial … 

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Novos homens e novas ideias estão conduzindo o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais

A nova pintura das Gerais

Marco Paulo Dani Projetos para o progresso

Ao apresentar os resultados do trabalho realizado em 1980, o presidente do INDI — Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais, Marco Paulo Dani, informou que foram atraídos, para Minas Gerais, 87 novos projetos, correspondendo a investimentos da ordem de Cr$ 30,1 bilhões e geração de 19.206 novos empregos. Em 1980, ainda, 48 projetos, decididos para o estado naquele ano e em períodos anteriores, tiveram sua implantação iniciada, sendo responsáveis por investimentos da ordem de Cr$ 4,9 bilhões e geração de 7.649 empregos. Estes resultados repetem, de certa forma, os obtidos pelo Instituto em anos anteriores, numa prova de que o desenvolvimento industrial do estado continua, apesar das dificuldades econômicas atravessadas pelo país. Não tendo havido projetos estatais assistidos pelo INDI em 1980, os dados mostram também um trabalho mais seletivo, com vistas a apoiar mais intensamente o empresariado mineiro, que foi responsável por 51 projetos com decisões formalizadas no período, enquanto outros 30 são de capitais nacionais ainda não estabelecidos no estado e os seis restantes são projetos de empresas estrangeiras.

A Fiat Automóveis se considera necessariamente uma empresa totalmente inserida com a comunidade social em que se instalou — afirma o presidente da Fiat, Miguel Augusto Gonçalves de Souza. Fornecemos cadernos e livros escolares. Patrocinamos o disco da soprano Maria Lúcia Godoy. Recentemente, com a Fundação Clóvis Salgado, lançamos o disco Travessia, o Canto dos Mineiros, feito por músicos, intérpretes e compositores inéditos. E, há três anos. patrocinamos o concurso Fiat para universitários, com muito sucesso e repercussão nacional. A mais importante participação da Fiat na vida de Minas está se dando agora, como explica Miguel Augusto Gonçalves de Souza: A Fiat não poderia ficar insensível à destruição de algumas relíquias do nosso patrimônio barroco. Assim, acabamos de assinar, com a Fundação Roberto Marinho e o governo Francelino Pereira, importantíssimo convênio com o objetivo de preservar a casa em que residiu o Padre Toledo, na cidade de Tiradentes, a qual será transformada em importante museu. Somos particularmente sensíveis a tudo que se refere à cidade de Ouro Preto, que acaba de se transformar em monumento mundial. Tanto que tem prioridade neste convênio a recuperação da Casa do Noviciado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Pedras de Minas têm novo valor

A inauguração em Belo Horizonte do Gem Center, o primeiro centro de comercialização de pedras preciosas da América Latina, traz para o presidente da Metamig — Metais de Minas Gerais —, Arnaldo Mendes Júnior, uma expectativa de aumento de US$ 60 milhões no volume das exportações oficiais de pedras e jóias brasileiras.

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Automóveis patrocina recuperação de monumentos tem vida. Números costumam ser frios. Parece frio dizer, por exemplo, em fins do século XVIII, o Padre Toledo, um conjurado, viveu neste casarão colonial onde se realizavam algumas reuniões dos inconfidentes. O prédio, hoje museu, será restaurado e os objetos reconstituídos. A restauração do conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, e do Museu do Padre Toledo, em Tiradentes, cujas obras já tiveram início, tornou-se possível mediante convênio firmado pela Fiat Automóveis, o Governador Francelino Pereira e a Fundação Roberto Marinho, que assegura a recuperação e a manutenção desses monumentos.

A Fundação Roberto Marinho — que mantém um programa de preservação da memória nacional — se encarrega da promoção e divulgação dos trabalhos, além da elaboração dos projetos de recuperação. A restauração desses monumentos é considerada uma tarefa altamente especializada e sobretudo difícil — seja no que se refere à execução do projeto em si, seja na escolha dos profissionais que a realizam. Necessariamente, elementos dotados de sólidos conhecimentos de arte, arquitetura e história. Cada uma das construções em restauração tem a sua história: o conjunto do Carmo, por exemplo, que tem, além da igreja — considerada seu elemento principal —, a Casa do Noviciado, instalada ao lado. A igreja foi planejada inicialmente por Manuel Francisco Lisboa, teve suas obras iniciadas em 1766 e dadas por concluídas em 1772. Entretanto, somente em 1888 os seus detalhes foram acabados, apresentando o aspecto que hoje tem. A bela igreja, administrada pela Confraria da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Ouro Preto, e frequentada, no século XVIII, pela aristocracia de Vila Rica, foi construída no mesmo lugar onde inicialmente existia a capela dedicada a Santa Quitéria, tendo seu risco sido quase completamente refundido pelo Aleijadinho.

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