Memória da cultura: 30 anos da Fundação Cultural do Estado da Bahia

Ana Lúcia Reis Fonseca

2004

  • p. 41

O Museu de Arte da Bahia realizou várias exposições, atraindo, inclusive, deficientes visuais e excepcionais. O Museu de Arte Moderna deu ênfase à formação e informação do público no processo criativo, realizando 30 exposições. A estrutura de museus era composta basicamente pelo Museu de Arte da Bahia (MAB), o mais antigo da Bahia, e pelo Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Nesse período, o Museu de Arte Popular, criado por Lina Bo Bardi, já era apenas uma referência. Soube que seu acervo estava guardado em caixotes em uma das dependências do MAM, no Solar do Unhão.

Eulâmpia Reiber – No Museu Wanderley de Pinho, registrou-se um aumento da demanda de visitantes, dinamizando mais ainda a prática museológica. Essa dinamização decorreu, também, da realização de projetos como O Museu vai à Escola, o qual buscou integrar 94 escolas aos museus, e A Escola vai ao Museu, com objetivo similar, ambos atendendo aos alunos de 1º e 2º graus da rede estadual, municipal e particular de ensino. O quadro não se alterou muito. A literatura continuou sendo o ponto alto. Criou-se informalmente o …

Calderón implementou uma política que a Instituição ainda não tinha — a de compra de exemplares de obras de autores baianos, como estímulo à produção local, mas a publicação da História do Teatro, de Nelson de Araújo, seria o grande instante de sua gestão. Eulâmpia Reiber assumiu a direção da Difusão Cultural e deu-lhe nova diretriz através de cursos e conferências. Nelson de Araújo e João Augusto diversificaram os debates, enfocando momentos do teatro na Bahia, as pesquisas sobre os bailes pastoris e sobre o cordel. Os xilogravadores Dila e Borges trouxeram para a Bahia, em exposição no Museu de Arte Moderna, considerável produção de capas de folhetos de cordel, ou melhor, de matrizes para capas de folhetos de cordel. Guido Guerra Veio então um novo diretor, Valentin Calderón de La Vara, com uma tremenda experiência de gestor do Museu de Arte Sacra. Ele me ajudou muito, pois não só me manteve como assessor-chefe, como também me possibilitou fazer o referido curso da OEA. Aliás, o que me deu régua e compasso no ofício da administração cultural foi um curso que eu fiz em Brasília, da OEA, organizado por Aloisio Magalhães. Outras pessoas da Fundação, inclusive Eulâmpia, Tição e Cristina Mendonça, fizeram em seguida o mesmo curso. Esse treinamento mudou completamente meus paradigmas e me abriu um novo campo de reflexão cultural. Foram três meses intensivos, e esse curso foi liderado por figuras maravilhosas como Felipe Serpa, Olímpio Serra, entre outras feras. Geraldo Machado – III Curso Interamericano de Política e Administração Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), MEC e OEA, realizado em Brasília em 1978.

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