Informações Visuais

1975

Minas Gerais: suplemento literário, vol. 10

  • p. 42

Que cuidado dever-se-ia pois ter com tudo o que pudesse influenciar os pequeninos! É lamentável que até agora poucos escritores tenham se preocupado em escrever para crianças, como se tão importante trabalho fosse apenas subliteratura.

Várias tentativas feitas provam o contrário, isto é, que nem lodos os grandes escritores podem escrever para crianças. Quando Alphonse Daudet — e que delicioso escritor, fluente, poético, brilhante e natural — começou “Le Petit Chose”, o livro, na intenção do autor, era dirigido às crianças. Eis que, pouco a pouco, tudo se complica: linguagem, fatos, pensamentos, e era uma vez um livro infantil…” termina Cecília Meireles. Como vemos, talvez seja tudo uma questão de ter ou não vocação para o gênero. Além de tudo, é necessário que o autor de livros infanto-juvenis tenha realmente a “garra” do escritor para conseguir interessar ao seu público. Do contrário, eles lerão o livro muito mal, muito educativo ele, e depois o atirarão para o lado dizendo: “mas que coisa chata!”  Que não se iludam os nossos moralistas e educadores pensando que um livro, apenas por ser educativo e moral, atinja a sua finalidade (não me refilo ao livro didático, é claro). A moralidade em literatura infantil, deve ser indireta, apenas sugerida, e decorrer mais do desenrolar natural dos acontecimentos do que da imposição de conceitos rígidos. Perguntamo-nos frequentemente se a literatura infantil deve ser educativa, instrutiva ou recreativa. Respondemos que, o ideal é que ela seja essas três coisas ao mesmo tempo. Não sendo possível isso, ou se for apenas sadiamente recreativa já terá cumprido sua finalidade.

Temos carta de um garoto de Niterói pedindo que escrevêssemos um livro cheio de perigos que desse muito medo. Aliás, em se tratando desse assunto, o escritor deve recorrer à sua intuição para dosar bem o suspense, apresenlando-o de modo saudável, e suavisando-o com um pouco de “humour”. Crianças adoram rir, e quando indagadas porque preferem este ou aquele livro, respondem : “porque é alegre, porque é gozado.

André Maurois recomenda dar logo os clássicos aos jovens. Diz ele: “há na literatura universal muitas obras-primas com as quais os adolescentes devem travar conhecimento. Ainda sobre esse tema, comentou Cecília Meireles: “Se a criança, desde cedo, fosse posta “em contato com obras-primas, é possível (que sua formação se processasse de modo mais perfeito”. A regra essencial é sempre esta: ler o que há de melhor. Pouco importa que o assunto não seja para crianças. Tudo depende do tom de encarar os fatos. “Não é o enredo propriamente que importa …

Conclusões do Congresso: novos caminhos estão apenas delineados, pois estamos numa época de transição. Há crianças e até adultos que só lêem quadrinhos, quadrinhos com pouco texto, há ainda outros, que apreciam os dois gêneros.

Assustado com a forte carga de informações visuais que a criança de hoje recebe através da televisão, “out-doors”, ele, o conhecido “designer” Aloisio Magalhães chegou a sugerir, em recentíssimo e importante “debate” promovido pela revista Arte e Educação,

que o livro infantil não tivesse nenhuma ilustração, a fim de não “amarrar” a imaginação da criança, deixando-a livre para fantasiar à vontade. Um livro bem cuidado graficamente, e que proporcionasse à criança uma área na qual ela não fosse bombardeada por informações visuais impostas.

Anúncios