Cultura, substantivo plural

13/1/1982

Isto É – Ano 5 – nº 284

  • p. 68

O quase ministro Magalhães expõe sua utopia

Tenho sido por isso, acusado de passadista, de adotar uma posição historicista, que não  tem sentido num país novo de grande poder de criatividade.

— O senhor não estará sendo utópico?

— Muito utópico, e isso não me ofende. Nada que tenha um significado mais profundo deixa de ter certo aspecto utópico. Ele estimula a perseguição. É próprio do utópico você não atingí-lo, mas, se não for em busca dele, se você não quiser sair do convencional, aí então o marasmo será inevitável.

— O senhor citou três ex-ministros, sem contar o Portella, aos quais sobreviveu. Acha que sobreviverá à máquina burocrática do MEC?

— Na época do Portella, eu simplesmente não entrei na estrutura. Se eu entrasse, não conseguiria fazer o que precisava ser feito. Fiz a Fundação Nacional próMemória. O Ministro Delfim não queria, o Ministro Golbery não queria, ninguém queria. Não se criariam mais fundações no Brasil. Era preciso que o Congresso estudasse o assunto e, se ele desse licença, etc., etc. Tudo foi feito entre Portella e eu, dialogando, sem nunca dar entrada num papel no MEC. Hoje, tornou-se transparente, foi arejado, ficou mais leve. Para realizar essa grande reforma do MEC era necessário um ministro forte, em dois sentidos. Forte politicamente dentro da estrutura do sistema. Uma prova: Ludwig foi o único Ministro a receber do Presidente da República um decreto para reformar o MEC. E forte do ponto de vista da personalidade.

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