Camisetas: a divulgação do patrimônio nacional entra na moda

1981

Cultura

A fotografia ganha seu instituto

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Enviadas pelo SPHAN chegará ao usuário acompanhado de um folheto explicativo de seu conteúdo, o histórico do monumento, a importância da espécie que se procura preservar como Patrimônio da Humanidade. A Fundação Nacional próMemória, responsável pela ideia, presta assessoria ao fabricante, enquanto a Embratur cede o copy-right sobre os cromos de sua propriedade e fornece os fotolitos. Paralelamente ao lançamento desses jogos, será promovido, junto a alunos do primeiro grau, um concurso nacional de monografias sobre o monumento registrado no quebra-cabeça. O primeiro prêmio será uma viagem, com acompanhante, a um monumento da escolha do vencedor.

AS CAMISETAS

No dia 28 de maio, na XXIX Fenit, em São Paulo (antes fora apresentado, no dia 8, no Salão Portinari, no Rio), a fábrica Hering lançou uma nova linha de sua etiqueta OMINO. Voltada para a realidade nacional, consagrará as palavras-chaves da temática patrimonial. Serão postas à venda 300 mil dúzias/mês e cada temporada consagrará 10 temas. Já foram selecionados 29 temas com as séries Pelourinho (por exemplo, você sabia que o único pelourinho em pé é o de Alcântara, no Maranhão?), fachadas, arcadas, ruínas, frontarias, janelas, balcões, beirais, azulejos, canhões, fortes, igrejas, etc. O projeto procura a associação tema-cidade, de sorte que todos os estados brasileiros serão contemplados com a divulgação nacional de seus monumentos tombados. Junto com a camisa é fornecido um guia explicativo com todas as estampas que compõem a série e um histórico de cada um dos monumentos.

PROJETOS

Breve, muito breve, os castelos da Côte d’Azur que ilustram as toalhas de papel aluminizado, usadas nos vôos internacionais de nossas companhias de aviação, serão substituídos pelas gravuras dos Guias de bens tombados, com a indicação do monumento, a data de seu tombamento e o nome do artista que o desenhou. Também brevemente os sapatos de Novo Hamburgo serão exportados em sacos ilustrados com fotografias de bens tombados. Essas iniciativas são exemplares, no sentido de que são simplesmente indicativas do que pode ser feito com os recursos da criação e do engenho. Ensinam também que o reino tecnotrônico, convergente, centralizador, uniformizador, massificador, não ocupa, onipotente, todos os espaços; há sempre um campo reservado à criação, espaço fértil às manifestações de nossa cultura e de nossa identidade.

OS SACOS E AS SACOLAS AUTOFALANTES

Hoje, 90 milhões de sacolas/mês

São as sacolas dos supermercados das redes regionais do Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Goiás. Em breve serão muito mais, com a integração da rede de uma grande cadeia fluminense, com lojas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Bahia, Amazonas e São Paulo. Quantos serão quando todo o sistema nacional de supermercados estiver participando desse programa? Estima-se que cerca de 40 milhões de brasileiros serão atingidos, mensalmente, por essa mensagem, pois a intenção conhecida é ir do …

Pode ser, e é, as Ruínas de São Miguel das Missões (RS), o Açude do Cedro, no Ceará (o único açude do mundo tombado). Mas pode ser também a fábrica de Vinho Tito e Silva (Paraíba), a última das 400 fábricas de vinho de caju existentes no século passado. Este, aliás, um tombamento riquíssimo, pois engloba a fábrica em si, suas instalações, a maquinaria e o seu processo de produção, tornando-se dessa forma o primeiro caso de tombamento do fazer. É esse o mundo empoeirado do passado, e até há pouco quase só livresco, a história mágica que não saiu da escola e dos alfarrábios, que passa a vestir o corpo de nossos jovens, instruí-los no lazer e acompanhar as donas-de-casa no ir-e-vir aos supermercados.

Loto turismo:

maneira divertida de explorar elementos da cultura brasileira.

Dominó turismo:

a flora, a fauna, o folclore e curiosidades do nosso país num jogo tradicional – supermercado de Ipanema à birosca da cidade tombada. No Rio Grande do Sul, a rede regional divulgará, didaticamente, a história da arquitetura do Estado, em sua ordem de influência: a arquitetura missioneira (o mais monumental dos Sete Povos das Missões), a arquitetura lusa, a italiana e a alemã. A custo zero para todo mundo. Os supermercados que já faziam suas sacolas continuarão fazendo-as, recebendo de graça a estampa, já existente e já gravada, cedida pela editora do Guia dos bens tombados. E ganha ainda o artista autor do bico-de-pena, porque, finalmente, sua preciosa obra, antes confinada às poucas centenas de leitores dos caríssimos catálogos de arte, chegará as mãos, aos olhares e ao conhecimento de milhões de brasileiros em todo o País.

Quebra-cabeças de 280 a 750 peças que terão as neves do Canadá, os castelos, e as paisagens européias substituídos pelos três monumentos nacionais tombados pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade: Olinda, Ouro Preto e São Miguel das Missões; o Jogo-de-Memória far-se-á com cromos representativos de monumentos tombados nacionais; o Quarteto terá, como elementos de combinação, expressões de nosso folclore e peças de produção popular, e o Loto retratará, além desses temas, a fauna e a flora.

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