Recife terá seu Museu de Arte

1953

Correio da Manhã

Ed. 18.554

1º Caderno

  • p. 9

Artes Plásticas

O Museu de Arte do Recife, ora em projeto, foi inicialmente ideia do jovem pintor Aloisio Magalhães, de 25 anos de idade. A ideia já lhe veio há uns tres anos e nasceu da absoluta necessidade que tem a cidade de Recife de uma galeria de exposições. No momento não tem nenhuma. Seu único Museu é Museu de tudo. Os artistas da terra não dispõem assim de nenhum meio de expandirem sua arte e de expandirem a noção moderna de arte plástica numa cidade dos foros culturais da capital de Pernambuco.

Funcionário do Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura de Recife, o pintor Aloisio Magalhães conseguiu da Embaixada Francesa no Brasil uma bolsa de estudos para exatamente se documentar sobre os Museus franceses. Fez, no Louvre, um curso de Preparação para Conservadores de Museus durante um ano, sob a orientação de Germain Bazin. Voltou da França em dezembro de 1952.

O jovem pintor Magalhães sempre se diz grato ao prefeito de Recife, sr. José Maciel que é quem lhe está facilitando os meios de realizar o projeto do Museu recifense. Agora, por exemplo, Magalhães, credenciado pela Prefeitura, empreendeu esta viagem ao Rio e aSão Paulo para onde partirá domingo. Sua visita tem o objeto de estudar os respectivos Museus de Arte Moderna desta cidade e de São Paulo.

O terreno doado ao futuro Museu pela Prefeitura de Recife tem uma situação extremamente privilegiada. Fica no cais fronteiriço ao Grande Hotel, bem no centro portanto da cidade. É uma área pequena, de cerca de 400 metros quadrados, mas num sítio tão lindo, com su fundo de Capibaribe e de barcos, que o grande esforço do Museu vai ser o de apresentar obras de arte à altura da paisagem.

O que estampamos é um desenho de Aloisio Magalhães para o anteprojeto do Museu, anteprojeto de autoria do próprio pintor e do arquiteto Acácio Borsoi. O prédio será de um só pavimento, montado em “pilotis”, para tirar o mínimo possível da vista. A construção será financiada em parte pela Prefeitura (cerca de 50 por cento) e o resto competirá a iniciativa privada. Já está organizado um plano para angariar os fundos.

Disse-nos o pintor Aloisio Magalhães:

– O Museu será acima de tudo um organismo vivo. Não procuraremos formar um acervo. Preferiremos antes realizar um programa permanente de exposições, de atividades de arte em geral, indo das exposições de pintura e escultura, às manifestações de arte popular, como ex-votos, cerâmicas e o trabalho dos gravadores populares, que é de excepcional interesse em Pernambuco.