Brasília em foco

1982

UT Libraries 2008

Visão

Festival – Cinema

  • p. 48

Os candangos chegam à tela

Brasília realiza, anualmente, o seu festival de cinema, de âmbito nacional, dedicado aos longas-metragens do circuito comercial. Nele, porém, os cineastas candangos não conseguem mostrar seus filmes — uma numerosa produção, geralmente documentários de média e curta metragem, resultante do trabalho realizado desde os anos 60 na área de cinema da Universidade de Brasília.

Encontrou um, decisivo, no recentemente falecido secretário de Cultura do MEC,

Aloisio Magalhães: um de seus últimos atos foi o documento em que pôs a Embrafilme e a Fundação próMemória à disposição dos organizadores do festival.

Vladimir Carvalho organizou um festival para mostrar aos brasilienses a obra dos cineastas locais. Acima. Ceilândia, um dos cenários dos filmes-candangos.

Vieram depois outros subsídios — Caixa Econômica Federal, Federação do Comércio de Brasília, Fundação Baiochi e Vera Brant Imobiliária, entidades públicas e privadas que aceitaram contribuir para um movimento de busca da identidade coletiva de Brasília. Segundo Vladimir Carvalho, a definição do perfil social e cultural de Brasília passa, necessariamente, pela produção dos cineastas da cidade. Há doze anos professor de cinema na universidade, com bom trânsito entre colegas e alunos, ele julgou que o festival seria a ação ideal para fazer deslanchar a produção brasiliense em direção ao público. O evento divide-se em duas partes: uma mostra ilustrativa de filmes realizados nos anos 70 — abrindo-se com o filme Boi de praia, longa-metragem inédito do ex-aluno da UnB Augusto Ribeiro Júnior — e outra, competitiva, apresentando catorze películas de curta e média metragem rodadas nos últimos dois anos. Essas fitas, documentários e de ficção, concorrem a 800 mil cruzeiros em prêmios nas categorias de melhor filme, fotografia, roteiro, direção e som. Há, ainda, o Troféu Carajá — estatueta de madeira dos índios carajás —, homenagem ao fotógrafo e antropólogo Heinz Forthman, pioneiro realizador de documentários sobre os indígenas brasileiros. Também serão homenageados os professores de cinema da UnB desde os tempos.

Em boa hora — Entre os participantes alguns são nacionalmente conhecidos como Armando Lacerda e Marcos de Souza, premiados em outros festivais. Mas, explicou Vladimir ao Stênio Ribeiro, “a característica competitiva é mostrar um novo tipo de cinema brasiliense, com inéditos, apresentando novos estão surgindo”. Assim, todos têm como compromisso focalizar interpretar a vida do Distrito Federal. De acordo com o cineasta Freire, …

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