Nasceu para a arte popular

1963

Visão

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O museu foi instalado no Solar do Unhão, um dos mais antigos prédios da Bahia

MUSEUS

Com uma grande exposição, reunindo milhares de peças artesanais e centenas de pinturas e esculturas dos mais destacados artistas do Nordeste, foi inaugurado no dia 3 deste mês o Museu de Arte Popular da Bahia.

Criado com o objetivo de estimular e formar artistas e artesãos, o MAP é um órgão do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAMB).

O novo museu foi instalado num dos mais antigos prédios da Bahia: o Solar do Unhão. E a escolha do local, junto ao mar, sob a Avenida de Contorno, foi muito feliz, pois o recanto é de uma beleza admirável. Segundo documentos históricos, o velho solar foi construído no século XVI pelo cronista Gabriel Soares e serviu de residência a várias famílias nobres, inclusive ao desbravador do Nordeste, Garcia D’Ávila. No século passado, foi transformado em fábrica de rapé por um imigrante inglês, que lhe ampliou as instalações sem, contudo, modificar-lhe a feição original.  Junto ao solar, ergue-se uma igreja que, segundo uma lenda, deixou de funcionar desde o dia em que foi morto, em seu interior, um padre que mantinha relações amorosas com uma dama da alta sociedade. Esse conjunto colonial que se encontrava abandonado há muito tempo, quase em ruínas, foi restaurado em toda sua grandiosidade e estilo, com apenas algumas modificações internas para adaptação ao museu. Todas as suas instalações — mais de 6.000 m2 cobertos — foram aproveitadas, destinando-se algumas a oficinas de trabalho e aprendizagem e outras para exposições. Na igreja, funcionarão a biblioteca e a Aula Magna. Desperta particular atenção uma escada interna, projetada pela arquiteta Lina Bardi, diretora do MAMB. A escada, de madeira, foi construída aproveitando-se quatro das vigas que formam a estrutura do prédio. Detalhe importante: os degraus são presos por encaixes, sem utilizar pregos ou cola.

A exposição, que recebeu o nome de “Civilização do Nordeste”, reuniu, além das peças artesanais, trabalhos de 24 artistas pernambucanos, 23 da  da Bahia e 10 do Ceará. Para cada Estado foram reservados um ou mais salões.