Emblema Varig

8/1962

UT Libraries 2008

IAB – Guanabara

Trabalhos de Wollner e Aloisio Magalhães

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CONCURSO

O Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento da Guanabara promoveu recentemente um concurso aberto à arquitetos, artistas plásticos e desenhistas industriais para a atualização do emblema da VARIG — Viação Aérea Sul Riograndense.

Chegaram ao IAB-GB, trabalhos de todas as regiões do Brasil.

Dos oitocentos desenhos recebidos atestam a ampla repercussão do Concurso, e a receptividade dos artistas brasileiros aos problemas da comunicação visual.

ATA DO JULGAMENTO

Aos treze dias do mês de agosto de mil novecentos e sessenta e dois, às treze horas, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento da Guanabara, reuniu-se a Comissão Julgadora do Concurso para o Emblema da VARIG, estando presente os Senhores Henrique de Souza Costa (representante da VARIG), Noel Saldanha Marinho (representante do IAB-GB), Ivan Ferreira Serpa (representante do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), Caio Aurélio Domingues (representante da Associação Brasileira de Propaganda ) e Flávio D’Aquino (representante da Associação Brasileira de Críticos de Arte). A dita Comissão, após examinar os setecentos e setenta e sete trabalhos, concedeu os seguintes prémios: 1. ” Prêmio — Passagem de ida e …

… Prêmio — Passagem de ida e volta do Brasil a Buenos Aires, ao concorrente sob o pseudônimo de “QUINCAS BORBA”.

Decidiu ainda a Comissão conferir uma “Menção Honrosa” ao concorrente sob o pseudônimo de “IUCAS”.

Procedida a identificação dos vencedores, constatou-se que haviam sido contemplados: 

1º Prêmio — “SIGNO” Sr. Alexandre Wollner.

2º Prêmio — “QUINCAS BORBA” Sr. Aloisio Magalhães.

Menção Honrosa “IUCAS” Sr. Luiz F. de Noronha e Silva.

Não tendo atingido as condições mínimas previstas do EDITAL, não foram conferidos os prêmios que tinham por tema a figura de Icaro. Nada mais havendo a deliberar, foi encerrado o julgamento, tendo sido lavrada a presente Ata, devidamente assinada pelos membros do Júri. Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1962. ass.: Henrique de Souza Costa, Noel Saldanha Marinho, Ivan Ferreira Serpa, Caio A. Domingues, Flávio D’Aquino

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Emblema de Aloisio Magalhães (2º prêmio)

Memória Justificativa de Aloisio Magalhães

O desenvolvimento dos estudos de Comunicação Visual e as suas aplicações práticas em todas as relações entre uma empresa e o seu mercado, levou a reconsideração do conceito de símbolos e emblemas.

O antigo modo de encarar o problema colocava-o mais perto da ideia de amuletos que propriamente de marcas de fábrica. Esse conceito foi substituído pelo de “imagem corporativa”, ou antes, pela ideia de um sistema que englobando todos os aspectos da empresa crie para ela uma personalidade própria e definida. Agora o símbolo surge, não como uma solução isolada — uma inspiração momentânea que, boa ou má, nasce desligada do contexto que a justifique — mas como o resultado de um estudo sistemático do qual ele, o símbolo, é a síntese. Enfim, o símbolo não é um distintivo, mas uma informação concentrada, a mais rápida e sintética de todas as informações. Nos parece extremamente perigoso colocar um problema de tal importância na base de “Uma ideia + Um desenho = Uma viagem a Nova Iorque” ou de “Encontre um novo emblema para a Varig”. Esse trabalho deveria ser executado por uma equipe de técnicos e não por amadores mais ou menos inspirados. Poderíamos citar como exemplos de trabalhos dessa envergadura o magnífico estudo de Edward Larrabee Barnes Associates e Charles Forberg para a Pan American World Airways, ou o trabalho de Rudolf Bircher para a Swissair. Entretanto, já que a ideia de concurso era fundamental, que se fizesse um com o espírito do Concurso para o Símbolo da Exposição Nacional Suiça (1964). Ora, dito isto, o natural seria que nos abstivéssemos de participar do concurso. Contudo, o problema de um símbolo para a Varig é de tal maneira sedutor, que ainda contrariando as nossas convicções profissionais, decidimos dele participar.

O trabalho ora apresentado tem todas as deficiências das limitações impostas pelo regulamento do concurso: é um trabalho individual, quando deveria ser o resultado do estudo de uma equipe de profissionais.

Ele diz que apenas o partido que deveria ser exaustivamente estudado até encontrar-se o desenho definitivo. Nasceu da observação do logotipo usado pela Varig. Notamos que a palavra néo forma um todo, que fragmenta-se em duas formas que lhe tiram a unidade VA e RIG. O paralelogramo formal pelas hastes do V e do A é de tal maneira evidente que elegemo-lo como partido. Assim a nova marca não nasce desamparada, a sua fixação junto ao público é muito mais fácil e econômica, e criamos um novo interesse para o logotipo VARIG, transformando uma deficiência em atração. Além desta vantagem inicial, o desenho encontrado presta-se a uma série de utilizações e apelos extremamente adequados a uma companhia de aviação. A marca não se limita a ser um sinal de identificação, passa a ser um apelo, um imperativo: VA pela VARIG, VA VARIG. O desenho atende igualmente às exigências feitas a uma boa marca: fácil reconhecimento, estrutura simples e clara, capacidade de inversão, de ampliação e redução ao máximo sem se deformar, resistência a desfoques e condições adversas de legibilidade, sem perder o seu poder de identificação.