Como preservar a cultura nacional

Outubro 1982

UT Libraries 2009

Comércio & Mercados

Ano XVI – nº 182

  • p. 24

O Secretário Especial da Cultura do MEC, Aloisio Magalhães, a 8 de junho, na véspera de viajar para Veneza, onde morreu dias depois, concedeu no Rio esta última entrevista ao repórter Guálter Loiola.

– O processo de desenvolvimento acelerado costuma pôr em risco a autenticidade cultural dos povos. Isto pode estar ocorrendo no Brasil?

— Ao depor na Comissão Parlamentar de Inquérito, para estudar a situação do patrimônio cultural do País, e respondendo a uma pergunta idêntica do deputado Fernando Coelho, admiti que a aceleração do processo de desenvolvimento econômico estava abrindo no País caminho’ para esse risco. E anunciava, então, que era preciso uma ação mais forte para preservar os valores nacionais. Daí a criação da Secretaria da Cultura do MEC, com duas subsecretarias, a do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a de Assuntos Culturais, com a Fundação Pró-Memória e a Fundação Nacional de Arte. A ação compreende a produção, disseminação e consumo dos bens culturais e sua guarda e preservação.

— Apesar da criação dessa nova estrutura, perdura ainda a indefinição da política cultural do País?

– Não há dúvida de que política cultural, entendida como visão de conjunto e apreciação dos fenômenos culturais, não existia no País até recentemente. Foi o ex-Ministro Eduardo Portela quem procurou criar uma postura que teve mais ênfase com o atual Ministro da Educação, Rubem Ludwig. Ambos se identificaram com o pensamento de que era preciso rever a atuação do MEC. Num espaço de tempo relativamente curto, foi possível aglutinar, na mesma linha de ação, os órgãos que operavam isoladamente, com grande dispersão de recursos e esforços. E isso foi feito sem centralizar todas as ações, dada a dimensão do País. Teve-se em conta a concepção de que os órgãos terminais do sistema — os museus, as bibliotecas e os centros de pesquisa — deveriam ser os executores da política cultural.

Em 1973, foi criado um programa de estímulo às atividades econômico-culturais em áreas do Nordeste. Envolveram-se nessa diretriz a Sudene e outros órgãos, protegendo o artesanato e apoiando as artes populares em geral. Esse espírito teria influenciado o MEC ou pelo menos sua política cultural?

— De fato, o estímulo veio pelo filão econômico naquelas áreas, onde se entendia que, revitalizando os valores históricos e a criatividade popular, se poderia obter resultados econômicos palpáveis, como maior fluxo turístico, mais empregos, maior circulação de riquezas. Mas a ação do MEC não se restringia a algumas áreas, era mais geral.

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