Plano para ampliação

1958

Visão – Livros

  • p. 45

Do sucesso da ideia surgiu então o Gráfico Amador — um atelier dedicado à arte do livro, cuja extensão não ultrapassa as limitações práticas de uma oficina de amadores e onde se torna difícil distinguir o trabalho artístico da simples prática artesanal.

Oito obras até agora

Desde então, as atividades do Gráfico Amador foram-se ampliando, ao mesmo tempo que a experiência obtida na edição de outras obras levava ao aperfeiçoamento das técnicas, ao domínio pleno da arte gráfica e à  consecução de livros mais aprimorados. Há cerca de dois anos, o Gráfico Amador transferiu-se, juntamente com o atelier de Aloisio Magalhães, para a Rua Amélia. E a oportunidade de encontros mais frequentes com os companheiros do grupo facilitou a adesão de outros entusiastas.

Oito livros já foram editados: As Conversações Noturnas, de José Laurênio de Melo; Macaco Branco, de Gastão de Holanda; Ode, de Ariano Suassuna; Memórias do Boi Serapião, de Carlos Pena Filho; Mãe da Lua, de José de Morais Pinho; A Tecelã, de Mauro Mota, Ciclo, de Carlos Drummond de Andrade; e o primeiro livro da série Rumeur et Vision uma seleção de poemas de Baudelaire, Mallarmé, Verlaine e Rimbaud.

E já está programado, como próximo lançamento, O Morto Riu por Último, de Orlando da Costa Ferreira. Além disso, sempre que surja uma oportunidade, os gráficos amadores promovem publicações especiais. Assim é que já deram início à série de Volantes, publicando, em folheto, um poema de Vinícius de Morais. E, para desejar boas festas e bom Natal a seus amigos, imprimiram cartões que são verdadeiro requinte de arte gráfica. 

A prensa manual limita, entretanto, o alcance das edições. O livro de maior tiragem até agora é o da série Rumeur et Vision: 200 exemplares.

Além disso, as cinco fontes de tipos de que agora dispõe o Gráfico Amador não permitem a realização de trabalhos perfeitos. Algumas dessas fontes são consideradas pobres ou híbridas; outras já estão desgastadas. Por isso, pretendem os quatro artistas do livro ampliar sua organização. Sem prejuízo para o artesanato que se pratica atualmente, pretendem comprar uma impressora automática (tudo mais continuaria sendo feito a mão), a fim de conseguirem edições mais amplas, com melhor divulgação para os textos escolhidos. Mas não tem dinheiro. Estão à procura de 50 sócios que queiram investir cada um 30 mil cruzeiros no Gráfico Amador, sem esperança de lucro, a não ser a realização da obra artística. Esse capital (1,5 milhão de cruzeiros) seria suficiente para a expansão planejada. Dentro desse plano, os iniciadores do Gráfico Amador amortizariam sua parte do capital com trabalho, mediante a instituição de um pro labore. Continuariam a conceber lay-outs, a desenhar ilustrações, a compor a mão ou a descobrir inovações de manufatura. Continuariam a ser os artistas e artesãos, cuja obra poderia ser mais divulgada e mais lida.

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