Centros de documentação e pesquisa histórica: uma trajetória de 3 décadas

Camargo, Célia Reis.

CPDOC Trinta Anos, FGV, 2003.

fonte: UT Libraries 2008.

  • p. 29

Na década de 1970 e nas seguintes, pode-se dizer que a fórmula institucional foi a adotada em diferentes universos de trabalho, todos eles preocupados com a identificação/construção de suas identidades e com a democratização das informações, palavra de ordem colocada como o objetivo primordial dos projetos então desenvolvidos. É importante destacar esse aspecto, que se prende a um contexto sociopolítico em que predominava a luta pela redemocratização do país. Quaisquer que tenham sido os nomes adotados – entre eles inclua-se também o de “memorial” -, o fato é que, instalados em diversos pontos do país, os centros de documentação assumiram a missão de reunir, organizar e dar acesso a informações especializadas. Mas a maior parte deles foi obrigada a ultrapassar os limites do trabalho de produção e organização de informações. Dedicaram-se também à preservação do patrimônio, reunindo arquivos e coleções de valor histórico, a maioria de natureza privada, originada de instituições particulares e de pessoas físicas. O CPDOC foi pioneiro nesse movimento, ao ser criado em junho de 1973 a partir de um conjunto documental fundador do perfil de seu acervo e das linhas iniciais de pesquisa: o arquivo pessoal de Getúlio Vargas. Embora constituído fora da universidade, consolidou uma concepção de trabalho que integra documentação e pesquisa,  preservação documental e construção de conhecimento. Foi também pioneiro na prática de um trabalho interdisciplinar. Quebrando visões corporativas do exercício profissional, congregou diferentes áreas de formação, tanto para o exercício de atividades técnicas quanto para a realização da pesquisa em torno da história política brasileira. Voltando a atenção para um quadro mais amplo, percebe-se que os anos 1970 também se caracterizaram por uma reformulação das concepções do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – sobre sua ação patrimonial.

Introduziram-se, assim, na formulação e na prática da política cultural, as noções de memória, cultura material e bem cultural. Essa concepção, formulada pelo grupo liderado por Aloisio Magalhães, iniciou o movimento de descentralização da função de proteção ao patrimônio, bem como …