O homem que traçou um mundo novo

Mariana Oliveira

Recife 1/9/2003

Continente

vol. 3

  • p. 48

Após 21 anos da morte de Aloisio Magalhães, o designer pernambucano tem vida e obra revisitadas em um livro que …

… povoam o nosso cotidiano, agora estão registradas no livro A Herança do Olhar — O Design de Aloisio Magalhães, lançado pela ARTVIVA Produção Cultural e Senac Rio, com patrocínio da Petrobrás. A obra, concebida por Felipe Taborda e João de Souza Leite, designers, trata desde a formação do artista, nutrida pelas contradições, até a sua atuação como programador e projetista visual e cultural do Brasil.

  • p. 49

Nascido no Recife, em 1927, logo cedo se atraiu pela criação popular, encenando Garcia Lorca com mamulengos. Após ingressar na Faculdade de Direito, em 1946, participou do Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1951, recebe bolsa do governo francês e vai estudar museologia no Louvre. De volta ao Recife, funda, em 1954, o Gráfico Amador, mistura de atelier gráfico e editora, junto com Gastão de Hollanda, Orlando da Costa Ferreira e José Laurênio de Mello. Publicou Aniki Bóbó (1958), “ilustrado” por textos de João Cabral de Melo Neto, Improvisação Gráfica (1958), A Informação Esquartejada (1971) e Topographic analysis of a Printed Surface (1974), da série Quadrat Print, editada por Steen-druckkerij de Jong & Co, Holanda. Aloisio criou marcas estruturadas de forma simples, geometricamente puras, com informações concentradas e decodificadas rápida e sinteticamente. O seu legado gráfico inclui o padrão monetário brasileiro, desenvolvido em 1976, a identidade visual de empresas e produtos como a Petrobrás, Light, Souza Cruz, Embratur, Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Banco do Estado da Guanabara, Unibanco, Vale do Rio Doce, Xerox, Banespa, Universidade de Brasília, Museu do Açúcar, Oficina Cerâmica Francisco Brennand e os símbolos da Fundação Bienal de São Paulo e do IV Centenário do Rio de Janeiro. Fez mais de 35 exposições, entre individuais e coletivas, no mundo quase todo. Antônio Houaiss criou a palavra cartema para designar uma criação de Aloisio que ele nunca vira antes.

Fundou a Escola Superior de Desenho Industrial, o Centro Nacional de Referência Cultural (1975) e a Fundação Nacional próMemória (1979). Viajou o país discutindo a recuperação da memória e a busca das raízes culturais como referência para o desenvolvimento brasileiro. Foi diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e presidente da Fundação Nacional de Arte. Posteriormente, tornou-se Secretário de Cultura do MEC – gênese do Ministério da Cultura.

Anúncios