Aos Trancos e Barrancos: Como o Brasil Deu no que Deu

Ribeiro, Darcy, 1922-1997.

Darcy Ribeiro1985

fonte: UT Libraries 2008.

É uma história irreverente do Brasil, ilustrada com charges de época, pelo Fortuna, em que Darcy Ribeiro relembra fatos:

e dá nome aos anos, ano a ano, entre 1900 e 1980:

Ano do Mosquito, do Avião, de Rondon, de Brasília.

  • Aloisio Magalhães e Alexandre Wollner criam no Rio de Janeiro a Escola Superior de Desenho Industrial. Ali se formam, nos anos seguintes, gerações de ulmianos convictos de que o importante é a função. O resto são artistadas. Alguns deles ótimos.

Aos Trancos e Barrancos “um recordatório, um compêndio risonho de feitos e malfeitos” para preencher o vazio da desmemória de “um país eternamente inaugural.”

“Não imagine, leitor, que você tenha aqui um relato objetivo da nossa história. Quem me dera! Isso não passa de uma versão. Minha versão do que nos sucedeu a nós, brasileiros, no caminho que viemos trotando, aos trancos e barrancos, pelo século XX afora, para sermos o que estamos sendo. Versão composta com as brasas e as pedras do meu sectarismo professo de homem de ideais e de partido.”

“Desfilo, aqui, uns tantos eventos, poucos, selecionados do montante infinito deles, para mostrar como de 1900 para cá se processou nosso refazimento. Recordo, para isso, acontecimentos políticos que tiveram consequências, lutas populares quase sempre perdidas, feitos culturais memoráveis, cantigas e gozações. Tento, sempre, assumir o olhar do povo olhando os ricos viverem e se regalarem; mas vivendo, ele também, com esta alegria miraculosa para gente tão oprimida e esfomeada.”

“Acho que ninguém sabe (principalmente os jovens) o que aconteceu a este país nos últimos 80 anos. A ideia do livro é tentar explicar por que o Brasil não deu certo. Não deu no que deu por acaso. É porque, por exemplo, o Sr. Rui Barbosa era um liberal-reacionário, e era o modelo, o padrão de personalidade do país. A intelectualidade brasileira na relação quantidade-qualidade é muito fútil. Ela não está comprometida com o seu país, não é pensamento crítico do Brasil.”

“O país é isso porque decisões malandras foram tomadas. Há uma classe dominante infecunda mancomunada para manter esse país atado ao atraso”.