A MEMÓRIA NACIONAL NO COTIDIANO BRASILEIRO

1979

UT Libraries 2009

Interior

  • p. 123

Para muitos, talvez a maioria dos brasileiros, a memória nacional se resume na preservação de monumentos e documentos históricos. Os aspectos físicos mais palpáveis da cultura brasileira. Pouco se dão conta de que a memória nacional também está no cotidiano de um vilarejo perdido no sertão pernambucano, mineiro ou gaúcho. E o santo de barro, o doce de caju, o acarajé, a luminária de lata, a literatura de cordel ou a alpercata de couro cru. E o que o povo vive e faz. O Brasil. 

INTERIOR procurou ouvir duas autoridades nessa área (preservação da memória nacional) — Aloisio Magalhães e Wladimir Murtinho — sobre o que o país tem feito, está fazendo e pretende fazer para a preservação de sua memória. Minas quer crescer com o esforço da comunidade.

Identidade Cultural

Um povo não pode, não deve perder sua identidade cultural. Isso é uma regra histórica, essencial para a convivência coletiva. E a premissa básica dessa regra é irrefutável: se você sabe que foi e não sabe quem é, aliás terá condições para saber o que é, quer ou pode ser.

… levantar, registrar e preservar nossos ouros culturais.

A afirmação é do embaixador Wladimir Murtinho, ex-secretário de Educação do
Distrito Federal, com a autoridade de quem, juntamente com o professor Aloisio Magalhães, fundou o Centro Nacional de Referência Cultural, cujas atribuições foram recentemente absorvidas pela Fundação próMemória.

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Eu e Aloisio Magalhães discutimos e analisamos o assunto durante doze anos,
até fundarmos o CNRC, o que foi possível graças à ajuda e apoio do governo do
Distrito Federal. No início foi difícil, as verbas eram pequenas e diversas entidades governamentais nos ajudaram muito, principalmente com dotações orçamentárias.  E a primeira …

ALOISIO Sérgio de Magalhães, pernambucano, designer internacionalmente reconhecido, é secretário do Património Histórico e Artístico Nacional e presidente da Fundação Nacional Pró-Memória. Em 1975 criou, juntamente com outros intelectuais, e desde então dirigiu, o CNRC — Centro Nacional de Referência Cultural —, órgão de pesquisa originado por convênio entre organismos governamentais.

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