Donos demais

31/10/1979

UT Libraries 2008

Veja – nº 582

  • p. 72

Briga pelos casarões da velha São Luís

Prenuncia-se uma celeuma entre a Universidade Federal do Maranhão (UFM) e a Prefeitura de São Luís. A Universidade pretende que os prédios da zona histórica da cidade, após sua recuperação, sejam novamente entregues a seus moradores atuais — uma população paupérrima de 5000 pessoas, entre elas algumas centenas de meretrizes.

Não apenas enviaram representantes a maioria das 39 entidades convidadas, como discutiram-se medidas concretas. Uma delas: a confirmação da instalação em São Luís de uma delegacia regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Outra: a criação de um grupo executivo permanente, composto pelos três órgãos promotores do encontro, que se encarregará de produzir um projeto final para a recuperação e a revitalização da área central.

O presidente do IPHAN, Aloisio Magalhães, garante que não faltarão verbas. O ponto de partida do projeto será atacado de imediato: a instalação de um núcleo de pesquisa da Universidade para o levantamento das condições socio-econômicas da área. A participação da UFM, aliás, está condicionada à possibilidade de mobilização da população para auscultar suas necessidades e ouvir dos moradores o que desejam do projeto. “Nossa preocupação”, explica a professora Cybele Cunha de Pádua Lauande, do Departamento de Artes da UFM, “é recuperar a parte histórica e colocá-la à disposição dos moradores.” O prefeito Fecury, entretanto, não acredita que isso seja possível. Mas, por enquanto, não pretende tomar nenhuma medida em defesa de seus argumentos. “Com a valorização da área, a população local será naturalmente expulsa”, sustenta Fecury.

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