Escola de Artes Gráficas no Museu de Arte Moderna

1961

Leitura

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Objetivo: Formação de Técnicos Para Empresas Editoriais

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro entrou em entendimentos com direções de jornais e revistas (inclusive a Editora Leitura Ltda.), além de empresas editoriais desta capital, com a finalidade de patrocinarem, a partir de março de 1962, bolsas de estudos para um curso de artes gráficas de nível superior, a exemplo do que é ministrado na Alemanha, na Escola de Artes Gráficas de Ulm. Mediante bolsas custeadas por aquelas empresas encarregadas da edição de jornais, revistaslivros, ou outros impressos entre 12 e 15 alunos, escolhidos após testes especiais, receberão formação profissional especializada, capacitando-se para prestar serviços da maior importância e interesse àquelas empresas.

Ouvindo o Organizador dos Cursos

Foi encarregado pela diretoria do MAM o artista plástico, professor de arte e industrial de artes gráficas Aloisio Magalhães, de organizar pequena oficina e o respectivo currículo, da escola de grafismo industrial em questão.

A teoria será ministrada

— declarou-nos o prof. Aloisio Magalhães

à medida em que os alunos forem iniciados nos segredos artesanais e práticos dos ofícios de compositor e impressor tipográfico.

Objetivo Fundamental dos Cursos — O objetivo principal desse curso é agrupar realmente pessoas interessadas, como profissionais e não simples amadores, no conhecimento das técnicas modernas de composição e impressão de jornais, revistas e livros. O MAM já reuniu, numa das salas de suas modernas instalações no aterro da Glória a maquinaria e o mobiliário indispensáveis aos primeiros ensinamentos de grafismo industrial e artístico. Nossa finalidade é ir de encontro às necessidades das empresas editoriais cariocas, que irão custear as bolsas de estudos já referidas, mediante convênios especiais, formando elementos capacitados a exercerem nelas as modernas profissões de paginadores de jornais, revistas e livros, de capistas, desenhistas industriais, etc.

Levantamento do Nível Artístico do Impresso Nacional — A direção do MAM não poderia, é óbvio, abrir mão das finalidades artísticas de tal empreendimento e que norteiam tudo que ela faz e tem feito até o presente momento, em prol das artes em geral. Pretende o MAM contribuir, de maneira concreta e importante, para imprimir ao jornal, à revista e ao livro brasileiros tal padrão artístico à altura de nossas tradições, tanto nas demais artes, como na arquitetura moderna de nosso país, que se impõem no estrangeiro, como é sabido, grangeando para o nosso país a admiração e o respeito dos demais povos.

Em sua gama geral, o nível qualitativo do impresso brasileiro deixa ainda muito a desejar, por falta, sobretudo, de escolas de artes gráficas que formem elementos capacitados para as funções diretrives nas empresas editoriais.

Criar Mentalidade Qualitativa do Impresso

Pretende o MAM antes de mais nada criar uma mentalidade e uma consciência artística de grafismo industrial, aliando à máquina o trabalho diretivo e qualificador da inteligência e da produção artística. Pretende ainda fornecer às pessoas que irão lidar com o operário gráfico nas empresas que farão convênio com o MAM os conhecimentos profissionais indispensáveis, que lhes permitirão ao mesmo tempo que falar a linguagem artesanal e profissional do gráfico, orientá-los de maneira positiva e acessível, porque assim capacitados também profissionalmente.

Outros Cursos Correlatos — Professores de artes gráficas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, bem como outros elementos capacitados a ministrarem conhecimentos teóricos ou práticos sobre a matéria, serão, oportunamente, mobilizados pelo MAM, a fim de completar a formação profissional dos candidatos à sua orientação profissional e artística. Também a duração do curso será ditada pelas necessidades supervenientes e a necessidade de melhores conhecimentos, posteriores, por parte dos alunos.

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