Largo do Pelourinho: núcleo inicial do projeto de restauração do Centro Antigo de Salvador

20/12/1982

Visão – Patrimônio

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“Trata-se do maior conjunto barroco da América Latina”, sentenciou.

E explicou por quê: enquanto em Ouro Preto, por exemplo, as construções sâo datadas a partir do século XVI, no Pelourinho os prédios vâo do século XVI ao século XIX. Pela designação de Pelourinho se entende todo o casario antigo que se ergue da Sé até o alto da Ladeira do Passo. E, antes mesmo que Michel Parent desse sua abalizada opinião, já existia consenso sobre o assunto: arquitetos, historiadores e especialistas em tombamento são unânimes em classificar o Pelourinho como um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes do mundo. Já houve movimentos no sentido de dar-lhe dimensão internacional. Antes de morrer, Aloisio Magalhães estava preparando dossiê completo sobre a área, com a finalidade de obter da UNESCO o reconhecimento do conjunto como Patrimônio Cultural do Mundo, a exemplo de Cuzco, no Peru, e de Ouro Preto e agora de Olinda, no Brasil. A velha Bahia — Salvador, fundada em 1549, foi a primeira cidade do país. Antes dela só existiam vilas. Os colonizadores escolheram o local com muito cuidado: no alto de uma escarpa, o que permitiria boa defesa no caso de ocorrer uma invasão por mar. O modelo seguido foi o das cidades medievais da Europa Ocidental: ruas longitudinais e transversais, partindo de uma praça central. A Bahia primitiva terminava, de um lado, nas portas de São Bento; do outro, no Terreiro, onde ficavam as Portas do Carmo. E a Bahia foi crescendo, com o casario espalhando-se pela Cidade Baixa, onde se situava o porto. Depois, verdade que muito estorvada pela topografia, foi atravessando as portas que delimitavam a cidade, no alto da escarpa, e conquistando mais espaço. A tal ponto que, em 1650, a Câmara já se preocupava com o crescimento de Salvador. Um texto antigo informava que a cidade tinha avançado para além das Portas do Carmo, “descendo por uma escarpa, atravessando a Praça (depois chamada do Pelourinho e atualmente Praça José de Alencar), subindo por outra encosta, o Monte Calvário, até chegar ao Alto do Carmo”.

Em 1964 o país manda representantes ao II Congresso Internacional de Conservação do Patrimônio Monumental e Ambiental do Mundo, realizado em Veneza, Itália. Setecentos arquitetos e técnicos em restauração de 61 países estiveram presentes. O congresso, organizado pela Direção Geral de Belas Artes do Ministério da Educação da Itália, sob o patrocínio da UNESCO, acabou por produzir a Carta de Veneza, na qual houve, pela primeira vez, uma tomada de posição da cultura universal

Passear pelo Pelourinho é sentir-se regredindo no tempo.

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