1º Simpósio Brasileiro de Desenho Industrial

São Paulo 1976

Aloisio Magalhães

Na cidade de Campina Grande, na Paraíba, há alguns anos atrás, alguém teve a ideia de que o resto industrial, os pneumáticos de automóveis e caminhões, que são jogados fora, esse detrito poluidor, criado pela sociedade industrial, poderia ter uma nova função, e uma função adequada à realidade do contexto, e introduziu um produto novo, em forma de lata de lixo.

Essa lata de lixo tem a propriedade de ser preta, como é o pneumático, é facilmente lavável, flexível, e quando a coleta de lixo é feita o gari não tem lá muito tempo nem lazer para ter muito cuidado com o objeto, ele joga de volta a lata. E quando era de folha de flandres se estragava facilmente. A lata sendo de pneumático resiste a tudo isso, sofre todo tipo de impacto, funciona perfeitamente e resolve o problema da coletividade. Essa pequena indústria nascida na cidade de Campina Grande, espalhou-se pelo Nordeste inteiro e hoje de Alagoas ao Ceará a maior parte das casas usa esse objeto com perfeita adequação ao contexto.

Reparem nesse cenário que nós nos antecipamos criativamente a um problema extremamente sofisticado do mundo contemporâneo industrializado.

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